Muitos filhos criados por avós
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domingo, 14 de dezembro de 2008
Renato Oliveira<br> Reportagem Local 
Há quatro décadas, a gravidez na adolescência é encarada como um problema no contexto da saúde pública. Antigamente, ter filhos antes dos 18 anos era considerado normal, porque os padrões de vida na sociedade permitiam. Hoje, é um problema social grave e está atrelado ao aumento da violência e ao abandono de menores.
Para Renato Moriya, coordenador da Rede de Proteção de Crianças e Adolescentes, um dos problemas está no fato de a mídia expor as relações sexuais nas novelas e outros programas como prazerosa, mas sem mostrar a gravidez como um possível problema social. Segundo ele, o tema merece atenção redobrada porque as doenças sexualmente transmissíveis estão no mesmo contexto.
Outro ponto importante é a conseqüência no âmbito psicossocial. Estudos mostram que em boa parte dos casos os filhos de adolescentes acabam sob os cuidados dos avós. Por sua vez, eles possuem necessidades próprias e não estão preparados para assumir a responsabilidade sobre os netos.
Para o obstetra João Bento de Moura Neto, a questão é multidisciplinar e envolve a família e a sociedade. Nesses casos, abandonar os estudos e engravidar novamente antes dos 18 anos é um fato comum. Em grande parte dos casos, é comprovado que na segunda gravidez o pai é diferente. Isso acontece porque dificilmente os jovens constituem uma família nessas situações, alega.
Quando a questão é a formação da personalidade, queimar as etapas naturais da vida é outro risco iminente. A seqüência natural no desenvolvimento da mulher é infância, puberdade, adolescência e idade adulta. Mas quando ela fica grávida antes de chegar na fase adulta, a jovem pulou momentos importantes da sua formação e isso trará sérias complicações.
Ele cita casos de pacientes que engravidaram aos 15 anos, cujos filhos também ganharam bebês na mesma idade, e hoje, aos 30 anos, já são avós. A possibilidade dela ser bisavó aos 50 anos é muito grande, enfatiza.
Nos países desenvolvidos a questão da gestação precoce está diminuindo. Porém, de acordo com dados do Ministério da Saúde, dentre os casos de gestação, 22% são de adolescentes que deram à luz durante 2007. Em Londrina, a média é próxima disto, mas existem picos de até 40% na zona rural, por exemplo, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde.
Na visão de Moura Neto, a mídia pode contribuir de forma positiva. Quando o assunto é orientar sobre campanhas contra doenças sexualmente transmissíveis e sobre a gravidez precoce, por exemplo, o trabalho é eficaz. O problema é que os números mostram que os jovens ainda não assimilaram, porque o cenário prova que muitos ainda fazem sexo sem camisinha.


