Muitos celebram golpe militar no Paquistão
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terça-feira, 12 de outubro de 1999
Por Amir Zia 
Islamabad, 13 (AE-AP) - Apesar da maioria de dois terços conquistada por Nawaz Sharif nas urnas, o povo do Paquistão parecia celebrar sua remoção sem cerimônias do poder pelo todo-poderoso exército no meio de seu mandato.
A ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, que foi por duas vezes expulsa do poder com a conivência do exército, saudou a queda de Sharif, dizendo que a terça-feira "será lembrada não como o dia em que a democracia morreu, mas como o dia que ela começou a renascer".
Em todo o país as pessoas receberam a notícia do golpe militar e a queda de Sharif com indiferença ou alegria. Ativistas do partido de Bhutto distribuíram doces, uma forma tradicional de celebração no Paquistão.
Na cidade-natal de Sharif, Lahore, populares dançavam ao ritmo de tambores, balançavam as mãos, batiam nos ombros uns dos outros e congratulavam o exército pelo golpe.
Zahid Chaudhry, um lojista, denunciava o governo de Sharif.
"Nós votamos nele esperando que como um empresário ele iria melhorar a economia", disse Chaudhry. "Mas a situação só piorou".
Fora da casa da família de Sharif, no luxuoso bairro de Model Town, um grupo de soldados armados mantinha a guarda, enquanto um pequeno grupo de pessoas xingava o ex-primeiro-ministro de corrupto. Soldados riam dos insultos.
Na maior cidade do país, Karachi, um centro comercial muitas vezes palco de violência, reinava a tranquilidade.
Na província sulista de Sindh, da qual Karachi é a capital, eram constantes as manifestações contra Sharif, cujo governo é acusado de tratar a província como um parente pobre.
Sharif demitiu o governo provincial eleito de Sindh e colocou em seu lugar assessores escolhidos a dedo.
Sharif foi repetidamente acusado pelas três províncias menores do Paquistão de Sindh, Província da Fronteira Noroeste e Baluchistan, de favorecer sua província de Punjab, a maior e mais populosa do país.
"Sharif negou ao povo de Sindh seus direitos democráticos... Ele perseguiu opositores políticos e explorou os recursos econômicos de Sindh em favor de sua província natal", disse Sajid Raza.
Na capital federal de Islamabad, centenas de pessoas se concentraram na frente da estação Pakistan Television, que era controlada pelo exército. Eles gritavam slogans apoiando os militares.
Moradores da capital foram até o palácio do primeiro-ministro para ver soldados em guarda. A atmosfera era de festa.
"Não sinto qualquer perigo... todos, inclusive os soldados, parecem relaxados", afirmou Abdul Rehman, um homem de meia idade, que estava acompanhado de suas filhas e a mulher.


