MUITO ALÉM DA RESSACA - O perigo que acompanha as baladas
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de outubro de 2011
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
A entrada na vida adulta é marcada pelo consumo intenso e frequente de álcool entre boa parte dos jovens que frequentam cursos superiores. O 1º Levantamento Nacional sobre o Uso de Álcool, Tabaco e Outras Drogas entre Universitários, realizado em 27 capitais brasileiras pela Secretaria Nacional de Álcool e Drogas (Senad) em 2010, detectou que 86,2% já ingeriram bebidas alcoólicas em algum momento da vida.
A convite da FOLHA, a psicóloga Ligia Fukahori, do Centro de Atenção Psicossocial em Álcool e Drogas (Caps-AD), aplicou em um grupo de universitários de Londrina o Teste para Identificação de Problemas Relacionados ao Uso de Álcool (Audit), que mede os riscos pessoais com relação à quantidade e a forma de beber. Entre os sete abordados, cinco rapazes apresentaram resultados que indicam provável dependência. Duas garotas foram diagnosticadas como consumidoras de baixo risco. Muitas outras meninas foram convidadas a fazer o teste, mas recusaram.
Depois de afirmar que bebe apenas socialmente, o primeiro universitário entrevistado, e que atingiu risco de provável dependência aos 22 anos, não se surpreendeu com o resultado. Sei que tenho um comportamento de risco, disse ele, que começou a beber depois que entrou na faculdade porque nessa fase da vida existe uma convenção social em torno da bebida. Não me sinto dependente. Sei que consigo parar, se quiser. Estou me formando e pretendo beber menos quando começar a trabalhar, espera.
Outro estudante, de 24 anos, que pontuou entre uso abusivo e provável dependência, conta que experimentou o álcool aos 16 anos e intensificou o uso no ensino superior. Têm muitas festas durante a semana, justifica o rapaz, que já chegou a faltar às aulas por conta da ressaca. Vou parar quando começar a trabalhar, porque a responsabilidade é maior.
Surpreso com o resultado que indicou provável dependência, o estudante de 23 anos não acreditava que pudesse estar em risco até fazer o teste. Com experiência de ingestão de bebidas fermentadas e destiladas em até quatro vezes na semana, ele ficou preocupado e pretende mudar os hábitos. Vai ser difícil. Recorro ao álcool para fugir do estresse do dia a dia, afirma.
O campeão na pontuação foi um estudante de 23 anos que garante beber grandes quantidades apenas aos sábados, para ficar mais sociável. Durante a semana bebo pouco, relata ele, que já faltou às aulas e outros compromissos por causa da ressaca. Mesmo assim, não vê grandes problemas no comportamento. Vou diminur o ritmo quando começar a trabalhar, porque nesse caso uma falta terá maiores consequências.
A primeira experiência com a bebida ocorreu aos 14 anos e, desde então, a ingestão de álcool aumentou. O histórico do rapaz, conforme o psiquiatra Carlos Salgado, da Associação Brasileira de Estudos de Álcool e Drogas (Abead), é de alto risco. Quanto mais cedo as pessoas começam a beber, mais chances de desenvolver a dependência, afirma. Ele lembra que oferecer ou vender álcool e tabaco a menores de 18 anos é proibido por lei. É tão grave quanto usar crack, maconha ou cocaína. Os responsáveis pela oferta devem ser punidos.
Sobre o comportamento dos universitários entrevistados que pretendem parar de beber assim que entrarem no mercado de trabalho, a psicóloga Ligia afirma que nem sempre é possível. Alguns conseguem, outros não. O uso abusivo é mais um fator de risco para o alcoolismo.


