Apesar do nome semelhante, a celulite infecciosa não tem nada em comum com os conhecidos ''furinhos'' que aparecem no corpo das mulheres. A patologia desconhecida no meio popular ocorre quando o tecido celular fica inflamado e pode ocasionar complicações graves como necrose até infecções generalizadas, podendo levar a morte. Diagnóstico precoce é fundamental para um tratamento mais eficiente.
A infectologista pediátrica Joceley Figueiredo explica que a doença é muito comum na infância, mas pode acometer qualquer idade atingindo porções profundas da pele e o tecido celular subcutâneo.
''A pele é responsável por nossa primeira barreira a agressões externas. A interação entre o hospedeiro e os agentes bacterianos vai determinar a colonização ou infecção da pele e sua posterior invasão'', diz.
A médica explica que a celulite infecciosa é um processo inflamátorio agudo, de causa infecciosa relacionada ao Streptococcus beta-hemolitico e ao Staphylococcus, além de outras bactérias que podem estar relacionadas.
A infecção não surge espontaneamente. Segundo Joceley, geralmente tem história de picada de inseto ou trauma local com escoriações. Sintomas gerais como febre, mal-estar, diminuição do apetite e calafrios estão presentes, em grau variável.
''O tratamento deve ser feito com antibiótico, de sete a dez dias. As complicações mais graves são a septicemia (infecção generalizada), meningite e necrose do tecido'', alerta.
A melhor forma de prevenção é uma boa higiene, principalmente nos casos de trauma local. Pacientes com dermatite ou alergias são mais propensos as infecções locais.
Susto
A gerente administrativo Sandra da Silva Negrão Zanon ainda não tem certeza de como a doença acometeu sua filha Bárbara, de 1 ano e 6 meses, mas foram dias de muita angústia para toda a família.
Contaminada pela bactéria em outubro do ano passado, a menina precisou ficar quase uma semana internada no hospital recebendo tratamento com antibióticos para conseguir controlar e eliminar totalmente a doença.
''Primeiro apareceram umas manchas nas nádegas dela, muito parecido com uma espécie de alergia. Cheguei passar uma pomada recomendada por um pediatra, mas além de não ter resolvido, ela começou a ter febre três dias depois. Como as manchas começaram a ficar mais fortes resolvemos então levá-la até o hospital'', lembra.
Foi então que, por meio de exames de sangue confirmou-se que se tratava de celulite infecciosa. Sandra se impressionava a cada dia com a mancha que se desenvolvia e crescia por toda pele da menina, porém, após tratamento de quatro dias a menina conseguiu se recuperar.
''Começou perto das nádegas, mas no final do tratamento já estava próximo ao joelho. O meu momento de maior desespero foi quando realmente soube dos riscos que a doença oferecia a saúde, podendo levar até a morte. Hoje eu entendo a importância das pessoas saberem da existência dessa doença para não demorar a tomar providências necessárias'', finaliza.

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