Muita calma para conter o invasor e a cachorra
Poucas vezes na vida, o controle emocional foi tão importante na vida de Clóvis (nome fictício), quanto na noite de quinta-feira. Ele precisou de sangue frio para acalmar o invasor da casa, um assaltante perigoso, ferido, sob um impacto de um grave acidente de carro e acuado pela polícia.
Estudante de Medicina Veterinária, praticante de shorinji kempô (arte marcial japonesa), filho de pai empresário e mãe aposentada, Clóvis estava sozinho quando Testa pulou no quintal da casa pelo muro dos fundos. Mas não absolutamente sozinho. A cachorra de estimação, a vira-lata Leka, também estava e teve que ser acalmada para o final da história ser feliz.
''A Leka latiu tanto e tão diferente que fui nos fundos da casa para ver o que tava acontecendo. Vi o homem armado e a partir daí meu grande receio foi que ele matasse ela.''
Segundo Clovis, Testa não se importou com as descargas elétricas da cerca. Andou sobre telhados e muros dos vizinhos para chegar ao interior do imóvel. Pediu para apagar todas as luzes e fazer silêncio. Leka, porém, insistia em latir. ''Foi o momento mais tenso. Tive que pedir a ele para pegá-la no colo e acalmá-la''.
Quando os pais chegaram, Clóvis avisou o casal aos gritos. Eles recuaram. Minutos depois, a polícia começou a negociação em um corredor lateral da casa vizinha. Foram 20 minutos. De acordo com Clovis, Testa só se acalmou quando percebeu que estava sendo filmado. Em seguida, se entregou. ''Ele estava muito nervoso e com muito medo de morrer'', contou o refém, que não foi agredido nenhuma vez. (L.F.M.)





