Harare, 17 (AE-AP) - O presidente Robert Magabe convocou inesperadamente nesta segunda-feira (17) líderes de fazendeiros brancos a seu escritório e prometeu intervir pessoalmente para pôr fim à crise provocada pela violenta ocupação de terras de propriedade de brancos que deixou um fazendeiro morto, disseram os proprietários de terras.
Durante o encontro de uma hora e meia na véspera do 20º aniversário da independência do Zimbábue, Mugabe disse que irá trabalhar "para fazer a situação voltar à normalidade", segundo Tim Henwood, líder do Sindicato dos Fazendeiros Comerciais.
Mugabe pretendia reunir-se ainda nesta segunda-feira com Chenjerai Hunzvi, líder da Associação dos Veteranos da Guerra de Libertação Nacional, um grupo que alega liderar a invasão das fazendas a fim de completar "o trabalho não acabado" da guerra de independência contra a dominação branca.
Apesar de autoridades do governo se negarem a comentar sobre as conversações, a agência estatal de notícias confirmou o primeiro encontro de Mugabe com líderes do sindicato dos fazendeiros desde que as invasões tiveram início há dois meses.
Mugabe assumira posições bem diferentes no domingo, quando defendeu a continuidade da ocupação de mais de 1.000 fazendas de brancos por seus partidários e outros homens armados que dizem ser veteranos da guerra de libertação do Zimbábue.
O discurso de domingo de Mugabe foi feito horas depois do assassinato do fazendeiro David Stevens, um conhecido partidário do Movimento por Mudanças Democráticas, o principal partido de oposição.
A agência estatal de notícias divulgou que a polícia estava em busca dos suspeitos do assassinato de Steven e do espancamento de cinco outros fazendeiros brancos raptados de uma delegacia de polícia nas proximidades de distrito rural de Macheke, 120 quilômetros a leste da capital Harare, no sábado.
Henwood disse que foi informado apenas com 30 minutos de antecedência sobre seu encontro com o presidente, que lamentou o assassinato de Stevens. "Talvez a morte de David Stevens tenha sido o incentivo final para tomar alguma atitude a fim de restaurar a lei e a ordem em nosso país", afirmou Henwood. "Foi uma grande mudança. Recebi todas as garantias da mais alta voz do território."
Mugabe tem apoiado as invasões, argumentando que elas são um protesto justificado contra a injusta distribuição de terras num país onde 4.000 fazendeiros brancos são proprietários de um terço das terras produtivas.
Ele havia insistido no domingo que não iria ordenar os ocupantes a se retirarem das fazendas e pediu a eles para se defenderem dos opositores e "reagirem com dureza". Não ficou claro se a promessa de Mugabe a Henwood de "retificar a situação" marcaria uma reversão em relação ao seu pronunciamento de domingo.
Mugabe pretende fazer amanhã um discurso à nação por rádio e televisão para marcar seus 20 anos de governo desde que o país tornou-se independente da Grã-Bretanha em 1980.
Mas uma multidão de brancos não esperou pelas garantias de Mugabe. Dezenas deles se concentraram na frente do consulado da Grã-Bretanha em Harare, a fim requisitar a nacionalidade britânica.
Autoridades de Harare e os representantes de Londres disseram não saber exatamente quantos cidadãos do Zimbábue têm direito à cidadania britânica, já que é proibida a dupla nacionalidade. Especula-se que seriam cerca de 25 mil pessoas.

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