Mudanças simples podem reduzir implicações no pós-operatório
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terça-feira, 05 de agosto de 2008
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Mudanças de conduta -aparentemente simples- no trato de pacientes no período pré e pós-operatório pode resultar em menor tempo de internação e diminuir as implicações decorrentes da intervenção cirúrgica. O novo protocolo, que vem sendo defendido por médicos da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), integra o projeto Acerto (Aceleração da Recuperação Total Pós-Operatória) e foi apresentado à comunidade médica paranaense, ontem à noite, em Curitiba.
A iniciativa se baseia no programa europeu ERAS (Enhanced Recovery After Surgery) e inédita no Brasil, segundo os médicos envolvidos. Basicamente, a proposta defende a abreviação do jejum pré-operatório; a realimentação precoce no pós-operatório; terapia nutricional peri-operatória e redução do uso de fluidos intravenosos, principalmente, o soro, durante o período de recuperação.
O médico José Eduardo de Aguilar Nascimento, um dos criadores do projeto, explica que, convencionalmente, recomenda-se que o paciente fique em jejum de seis a oito horas antes de ser operado. O protocolo reduz o tempo para duas horas, pois muito tempo de jejum provoca mudanças no metabolismo e começa a quebrar as reservas de proteína e gordura do organismo. O paciente vai para a mesa de cirurgia debilitado.
Conceito semelhante se aplica na realimentação que, para o médico, deve ser muito mais precoce do que o padrão clássico. Há situações em que o paciente fica até quatro dias sem ser alimentado. ''Na maioria dos casos a realimentação no mesmo dia da cirurgia traz benefícios para a recuperação desse paciente'', acrescentou.
Aguilar explica, ainda, que a infusão de soro em grandes quantidades pode causar inchaço, edemas, dificulta o movimento do estômago e pode parar no pulmão. ''Muito soro causa mais mal do que bem ao paciente'', afirmou.
O médico diz que esse modo de ver o cuidado com os pacientes é centrado na medicina que se baseia em evidência e não em experiência. Segundo os médicos do projeto, ''muitas condutas e práticas peri-operatórias (tradicionais) são obsoletas e não tem respaldo científico'' e vêm sendo transmitidas a novos cirurgiões, há décadas, sem qualquer questionamento. ''Talvez, as universidades sejam o caminho para que essas mudanças aconteçam'', defendeu Aguilar.
A recuperação mais precoce pode representar ganhos, também, para os hospitais da rede pública, já que se diminuem os gastos com internação.
Serviço - Mais informações sobre o projeto podem ser consultadas na internet (www.projetoacerto.com.br).


