Arquivo FolhaNova educaçãoAlunos terão que mostrar habilidade nas diversas formas de linguagem: verbal, corporal e sonoraO Ministério da Educação deverá definir até novembro as mudanças no ensino médio, que passará a ter um currículo mais flexível e, em troca, exigências ampliadas. O aluno terá de mostrar habilidades nas diversas formas de linguagem - verbal, corporal, sonora. Também serão exigidos o domínio de uma língua estrangeira e o uso da informática e das artes. Segundo o diretor do Departamento de Desenvolvimento da Educação Média e Tecnológica, Ruy Berger, ‘‘a tendência é adotar uma disciplina chamada língua portuguesa, porque ela e a matemática são como bases para as demais’’.
Na reforma, o MEC determinará as áreas de conhecimento que as escolas devem incluir no ensino de 2º grau, mas a definição das disciplinas para a composição da grade curricular caberá aos Conselhos Estaduais de Educação ou das escolas. A idéia, segundo Berger, ‘‘é formar um cidadão que aprenda a fazer a ligação da atividade acadêmica com seu cotidiano e o de sua comunidade, e que possa influir na sociedade’’.
O objetivo do MEC é aproximar o ensino médio brasileiro do modelo americano. Com as mudanças, o aluno poderá optar por parte de seu currículo e, por conta disso, sair do colégio com uma formação menos abrangente e mais especializada. O professor da Faculdade de Educação da USP, Nélio Bizzo, diz que o modelo americano acelera o trânsito de alunos pelo 2º grau, diminuindo a evasão e a repetência mas, ao mesmo tempo, ‘‘corre o risco de formar alunos muito especializados num assunto e completamente analfabetos em outros’’.
‘‘As escolas técnicas deixaram de cumprir sua função original, que era a de preparar mão-de-obra intermediária de bom nível e passaram a formar candidatos para o vestibular, a um custo de 4,5 mil dólares por aluno, por ano’’. A opinião é do economista mineiro Cláudio de Moura Castro, chefe da Divisão de Programas Sociais do Banco Interamericano de Desenvolvimento, em Washington. Segundo ele, cerca de cem mil dos mais de cinco milhões de alunos do 2ª grau no Brasil estão em escolas técnicas federais.
Para Castro, as escolas técnicas precisam redescobrir sua missão, e o que poderá ajudar é a negociação de um empréstimo de centenas de milhões de dólares que o MEC pediu ao BID, para apressar a reforma do ensino profissionalizante. Ele lembrou que, recentemente, o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, baixou portaria separando a parte técnica da acadêmica nas escolas federais. com isso, a educação profissionalizante será oferecida agora como um curso de preferência de nível pós-secundário, mais curto, e terá como objetivo a formação de mão-de-obra especializada para atender o mercado.

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