Rio, 14 (AE) - O presidente da Associação Brasileira das Indústrias do Trigo (Abitrigo), Antenor de Barros Leal, disse que as mudanças no câmbio provocarão aumento de 10% a 12% no preço do trigo no Brasil. O aumento deverá ser repassado para o consumidor final, segundo Barros Leal, que não soube, porém, estimar o impacto sobre os preços dos produtos que são feitos a partir do trigo, como o pão.
O País importa 6 milhões de toneladas do produto por ano, de um total de 8,3 milhões de toneladas que são consumidas no País.
O aumento de preços deverá entrar em vigor imediatamente, segundo ele. ``Os moinhos que fecharam contratos ontem já pagaram o dólar mais caro', afirmou. Barros Leal explicou que as margens de lucro dos moinhos nacionais variam de 2% a 3% e , segundo ele, por serem baixas, exigem repasse imediato do aumento de custo do produto. Ele lembrou que além da desvalorização de cerca de 8% do real frente ao dólar, o setor terá de contabilizar um aumento de aproximadamente 5% do produto no mercado internacional.
EFEITOS - Excetuando janeiro, de fevereiro em diante a tendência é a de se procurar cortar importações - não é o caso do trigo, pois o País não produz o suficiente para o consumo. O diretor da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, avalia que o impacto imediato das mudanças no câmbio será um forte aumento das importações em janeiro.
Ele explicou que os importadores anteciparão as compras do exterior para aproveitar a taxa de dólar fiscal, que já foi fixada em R$ 1,2084. ``Esta é a taxa que serve de parâmetro para o pagamento de impostos, estimula as importações em janeiro', destacou. José Augusto acredita que a consequência seguinte será a redução das importações em fevereiro em função do aumento dos produtos em dólar na relação com o real.
José Augusto lembrou que muitos produtos nacionais ganharão competitividade frente aos produtos estrangeiros com a desvalorização da moeda e que isso desestimulará algumas compras no exterior. O diretor da AEB lembrou ainda que há uma forte tendência de retração econômica que já afeta naturalmente as importações. ``O aumento do custo dos produtos importados agrava esta tendência de enfraquecimento da demanda', lembrou.
O impacto das medidas sobre as exportações, em termos de volume de vendas, acontecerá apenas em três meses, segundo José Augusto. Ele explicou que produtos nacionais, como frango, roupas e sapatos, que perderam competitividade no mercado internacional com a desvalorização das moedas asiáticas recuperarão espaço. Mas acrescentou que do momento que acontece o início da venda para o exterior até a assinatura de contrato de venda e até o registro final da exportação passasse pelo menos três meses. ``Somente depois deste prazo os resultados de ganhos de competitividade serão contabilizados na balança comercial', acrescentou.
O diretor da AEB lembrou que as empresas exportadoras terão um impacto imediato com as vendas no exterior porque ela receberá um montante em dólar, que foi valorizado com a mudança do câmbio. ``A margem de lucro das empresas aumenta imediatamente', destacou. José Augusto explicou que não há impacto imediato sobre sobre preços de alguns produtos, como minério, porque a negociação do preço é feita para um período longo.
Ele ressaltou, porém, que quando da negociação de preços as empresas nacionais terão maior margem de barganha para acertar os valores dos contratos.

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