Irany Tereza
Agência Estado
Do Rio
Além da redução do analfabetismo, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou também que o País está caminhando para uma distribuição de renda menos injusta. A parte ruim é que a maior parte das mudanças positivas está ocorrendo muito lentamente.
O País continua a apresentar uma enorme concentração de renda, com metade da população ocupada recebendo, em média, menos de dois salários mínimos, enquanto apenas 2,3% ganham acima de 20 vezes o salário referência. ‘‘A boa perspectiva é que os trabalhadores com os menores salários mantiveram os ganhos obtidos pelo real mesmo diante das crises internacionais, os mais baixos ampliaram em até 7,7% o poder aquisitivo neste período’’, diz o presidente do IBGE, Sérgio Besserman.
Atualmente, a quantidade de domicílios com televisão (87%) é quase a mesma dos que têm rádio (90,4%). Em 93, antes do real, apenas 75,8% dos lares eram dotados de aparelho de TV. Agora a pesquisa começa a detectar um aumento na aquisição de bens e serviços menos acessíveis, como telefone, cuja cobertura era em 98 quase o dobro da de 93. Besserman lembra que também passaram a uma posição melhor entre famílias mesmo de baixa renda eletrodomésticos como freezer e máquina de lavar, o que confirma o aumento do poder aquisitivo e a melhoria da qualidade de vida.
A PNAD, que implantou no Brasil o sistema de pesquisas domiciliares, foi iniciada em 1967 e sua abrangência geográfica vem sendo ampliada ao longo do tempo. Atualmente, o levantamento engloba todas as grandes regiões, à exceção da área rural da Região Norte que representa, segundo dados do próprio IBGE, 2,5% da população nacional. Cerca de 1.500 pesquisadores trabalharam na coleta dos dados entre outubro e dezembro de 98. ‘‘O Brasil é um País de profundas desigualdades e esta pesquisa é o instrumento mais valioso que a sociedade dispõe para seu autoconhecimento’’, comenta Besserman.

mockup