Londrina - A prisão dos acusados não é a única resposta para essas famílias. Luciney de Oliveira Souza teve a vida transformada após o assassinato do marido, o empresário José Luiz de Souza, de 53 anos. Proprietário do Depósito São Marcos, na área central de Londrina, ele foi baleado em uma tentativa de assalto na própria loja, onde trabalhava havia 33 anos. O crime ocorreu em uma Quinta-Feira Santa e, desde 28 de março, Luciney passou a reivindicar mudanças na esfera criminal.
"Eu era uma pessoa que não acreditava que as coisas pudessem acontecer com a gente. O que mudou? A minha forma de enxergar o futuro, de lutar por uma mudança, por uma punição a esses menores que estão soltos nas ruas cometendo todo o tipo de delito. Hoje eu não posso cruzar os braços e simplesmente permitir que nada seja feito. Hoje eu me sinto uma cidadã no direito de lutar pelos nossos direitos", declara.
Luciney já reuniu 100 mil assinaturas em um abaixo-assinado a favor da redução da maioridade penal. O assalto contra o estabelecimento de José Luiz de Souza foi arquitetado por uma adolescente de 16 anos, que trabalhava no depósito, e por outra adolescente, de 17 anos. Elas planejaram o assalto com o objetivo de roubar R$ 13 mil do caixa. As duas foram apreendidas um dia após o crime, juntamente com quatro maiores. Um terceiro adolescente, também de 16 anos, confessou que havia atirado no empresário. Ele recebeu medida socioeducativa de internação. A namorada dele, de 17 anos, que teria dado apoio na tentativa de fuga, recebeu medida de liberdade assistida, mas se envolveu em um roubo e voltou a ser internada. A outra garota, de 16 anos, foi posta em liberdade, mas o MP recorreu da decisão no Tribunal de Justiça (TJ).
Três acusados maiores permanecem presos e aguardam a decisão judicial. Um quarto réu, Júlio César da Costa, de 31 anos, foi liberado por falta de provas. O Ministério Público entregou a alegação final no dia 11 de novembro e, em seguida, foram apresentadas as alegações finais dos advogados de defesa. Agora, falta apenas a sentença do juiz da 2ª Vara Criminal de Londrina.
Luciney está em busca de apoio e procura outros grupos nacionais para reunir as assinaturas coletadas e encaminhar o abaixo-assinado a Brasília. "A vida dele não volta mais. Felizmente houve a punição no caso do meu marido. O brasileiro tem o hábito de esquecer muito rápido das coisas, de se acomodar. Mas é uma coisa que eu não vou me permitir", conclui.(L.F.C. e V.C.)

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