Mudanças na política econômica causam redução de investimentos
Brasília, 09 (AE) - As mudanças introduzidas na política econômica brasileira com a liberação do câmbio no final de janeiro farão com que os investimentos privados para o setor de infraestrutura neste ano, previstos em US$ 21 bilhões sejam reduzidos para cerca de US$ 15 bilhões (mesmo volume do ano passado), segundo informação prestada hoje pelo presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), José Augusto Marques, ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Celso Lafer. Esta redução, no entanto, não significa a desistência dos investidores, mas apenas o adiamento de projetos especialmente neste primeiro semestre em decorrência da indefinição na economia, garantiu ele ao ministro.
O presidente da Abdib disse que do total de investimentos previstos para o setor este aproximadamente 70% se referem a capital externo, dos quais as áreas de energia elétrica (produção, distribuição e transmissão) e exploração de petrólo, se destacam. Marques disse que desde o dia 13 de janeiro, quando o câmbio foi liberado, começou a conversar com os investidores externos para saber sobre a manutenção de seus planos no Brasil. "Nas conversas que tive com empresários, fundos mútuos de investimentos, operadores de sistemas de infraestrutura e bancos de investimentos, constatei que o Brasil ainda é um mercado extremamente atrativo", informou. Segundo ele os investidores preferiram adiar projetos em 60 ou 90 dias o que, na prática, faz com que este projeto deixe de ser realizado agora.
Além do setor de energia elétrica, cuja privatização está prevista para este ano, o presidente da Abdib disse que existem boas perspectivas na exploração de petróleo, setor em que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) deverá realizar licitações para exploração de 27 áreas ainda neste semestre. Segundo ele, também existem boas perspectivas de investimentos no setor de saneamento. Para isto, contudo, Marques disse ao ministro ser importante que pelo menos a modelagem da privatização seja concretizada logo. Ele explicou que um dos atrativos para os investidores em infra-estrutura no Brasil, especialmente na prestação de serviços públicos, é a adequada taxa de remuneração estipulada na exploração desses serviços. "As taxas fixadas pelas agências reguladoras estão adequadas à remuneração do capital privado", afirmou.
O presidente da Abdib além de falar sobre as perspectivas para os os investimentos no setor, conversou com Celso Lafer sobre exportações, um ponto essencial para os fabricantes de equipamentos e produtores de serviços reunidos na entidade. Lafer, segundo José Augusto Marques, garantiu que os R$ 3 bilhões previstos no orçamento do BNDES para o comércio externo este ano serão mantidos. Esta garantia, conforme Marques
permitirá que os empresários programem seus projetos até o final deste ano. "Com a mudança no câmbio ficamos sem saber qual seria o orçamento do BNDES para as exportações", observou.
As exportações do ramo de infraestrutura que já foram de US$ 3 bilhões há três anos - caíram para US$ 1 bilhão em 1998 - deverão ganhar novo impulso com a liberação do câmbio. A expectativa, conforme Marques, é a de que ocorra um crescimento de 50% nas exportações deste ano, feitas basicamente para os Estados Unidos e América Latina. A direção da Abdib enfatizou ainda ao ministro que a mudança no câmbio não é suficiente para ampliar as exportações. "Precisamos de reformas estruturais que desoneram a produção", enfatizou, defendendo a realização da reforma tributária com rapidez.
A direção da Abdib também pediu o apoio do ministro para concretizar dois programas que está desnevolvendo no âmbito da Câmara de Comércio Exterior (Camex) e da Agênciad e Promoção de Exportações (Apex). O primeiro, se refere a financiamento para estudos de viabilidade econômica em projetos de engenharia, exigidos em licitações nacionais e internacionais. O segundo, se financiado pela Apex , permitirá que o setor invista nas áreas de pré-marketing e em prospecção de mercado, para ampliar suas exportações.Por Gecy Belmonte ATENÇÃO EDITOR: Esta retranca corrige cifra, no quarto parágrafo. Por favor, desconsidere a enviada anteriormente.





