Mudanças na gestão do Depen
Londrina - A gestão do Departamento de Execução Penal do Paraná (Depen), até então conduzida pela Seju, a partir de agora será administrada pela Secretaria da Segurança Pública (Sesp), que já é responsável pelas carceragens dos distritos policiais do Estado. A lei sancionada no dia 29 de dezembro transforma a Sesp em Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp). A Sesp também passa a ser a responsável pela organização das atividades de educação e qualificação profissional dos presos.
Para o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen), Antony Johnson, a alteração é temerária. "Foram 24 rebeliões e mais de 50 agentes penitenciários feitos reféns de dezembro de 2013 até dezembro do ano passado. Ir para a Sesp não era a melhor opção, mas a gente espera que haja mais investimentos. Não adianta falar que a população carcerária baixou. Alguma coisa está errada", argumentou rebatendo os números divulgados pela Secretaria de Justiça. Entre dezembro de 2010 e 22 de dezembro do ano passado, houve uma redução de 3.217 presos no sistema penal, segundo a Seju.
Conforme o presidente do sindicato, três penitenciárias do Paraná estão em situação crítica: a PEL 2, em Londrina, e as unidades de Piraquara e Foz do Iguaçu. "Em Londrina há muitos problemas com segurança. O pessoal lança drogas e celulares para dentro com frequência. Faltam PMs nas guaritas e agentes penitenciários também. Nas outras cidades, o efetivo também é reduzido", comentou Johnson.
Conforme o sindicato, há 3.100 agentes penitenciários em todo o Paraná, além de, aproximadamente, 600 temporários. Os cálculos do Sindarspen apontam a necessidade de contratar 1.200 agentes. "Quem cuida da delegacia é o delegado. A gente espera que a nova gestão faça investimentos no setor. Vamos acompanhar as mudanças e esperamos bom-senso na distribuição dos detentos e respeito ao limite máximo das carceragens", finalizou.
O presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Londrina e Região (Sindipol), Ademilson Alves Batista, reforçou as dificuldades do efetivo para administrar as carceragens. "É uma ilegalidade os presos estarem nas delegacias. Grande porcentagem de investigadores está cuidando das carceragens em vez de agilizar as investigações. Não sabemos como será a gestão do Depen daqui para frente. O que sabemos é que a Secretaria de Segurança Pública já administra com dificuldades as duas polícias [Civil e Militar]. A falta de efetivo é grande. Escrivão virou artigo de luxo", destacou Batista. Para o sindicato, seria necessário contratar, pelo menos, 5 mil novos policiais civis. "Em época de final de ano, com operações no litoral e as férias, fica ainda mais difícil trabalhar", ressaltou. (V.C.)





