Mudanças em plantões deixam pacientes sem atendimento
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segunda-feira, 03 de outubro de 2011
Davi Baldussi <br> Reportagem Local 
Londrina - Depois de três dias em funcionamento, o plano da Prefeitura de transferir os plantonistas das unidades básicas de saúde (UBS) do Maria Cecília (Zona Norte) e União da Vitória (Zona Sul) para o Pronto-Atendimento Municipal (PAM) e Pronto-Atendimento Leonor (Zona Oeste) não deu o resultado esperado. Médicos de uma empresa terceirizada que deveriam assumir os plantões nas unidades não estão cobrindo as escalas.
Conforme depoimentos de pacientes de Londrina, ontem, encontrar um médico para receber atendimento na cidade era como procurar uma agulha no palheiro. ''Para não perder a viagem a gente liga. Porque não tem como ficar pegando ônibus para chegar lá e não ter médico'', declarou a empregada doméstica Mercedes Elias da Rocha, que vive no Conjunto Maria Cecília, mas ontem à tarde esperava por mais de duas para ser atendida no Pronto-Atendimento Municipal (PAM).
A busca dela por atendimento, no entanto, havia começado às 9 horas. ''Acho que estou com uma infecção urinária. Liguei de manhã no posto do (Conjunto) Aquiles (Stenghel), no Maria Cecília e também no Hospital Zona Norte. Todos estavam sem médico. Então vim para cá'', comentou.
''Aqui vive sem médico. A gente tem que marcar para ficar doente. Acabaram de me falar que só na semana que vem vão conseguir agendar a minha consulta, que será para daqui dois ou três meses'', lamentou a cabeleireira Sirlene Leôncio, que, com crise de asma e sem atendimento, estava revoltada com a situação na UBS do Maria Cecília.
''Estamos à beira de um colapso no atendimento básico de saúde no município''. O sociólogo Admilson Soares, coordenador do Movimento Saúde da Região Norte, critica a Secretaria de Saúde, que ''não consegue ajustar as escalas no Maria Cecília e União da Vitória''.
Segundo Soares, ontem e no último final de semana os furos na escala de atendimento no Maria Cecília foram constantes. ''Nós montamos uma equipe para monitorar o posto. No sábado não teve médico à tarde nem à noite. No domingo só tinha à tarde e hoje (ontem) não tinha médico de manhã'', protestou. Na unidade do União da Vitória, as falhas na escala de médicos também ocorreram.
O secretário municipal da Saúde, Márcio Nishida, informou que o órgão está fazendo um levantamento sobre os plantões nas unidades básica de saúde e que amanhã o município irá se pronunciar sobre o caso. A reportagem buscou contato com a Proativa Saúde, cooperativa de Porto Alegre (RS) responsável pelos plantões terceirizados, mas não obteve retorno.


