Mudanças climáticas tornam doenças 'corriqueiras'
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terça-feira, 30 de outubro de 2012
Lucio Flávio Cruz <br> Reportagem Local 
Londrina - Mudanças climáticas têm gerado no Brasil temporadas de inundações e seca, que levam a curto, médio e longo prazos uma série de doenças como diarreia, pneumonia, malária, dengue e meningite. Estas conclusões são do relatório do Atlas da Saúde e do Clima, da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicado ontem.
O estudo aponta ainda que as preocupações se concentram na região Sul do País em virtude das inundações e dos deslizamentos de terras e no Norte devido à seca. Entre os anos de 2000 e 2010 foram contabilizados 1.320 casos de inundações e a ''pior seca dos últimos 60 anos'' foi no período de 2004 a 2010, na Amazônia. Problemas como a poluição e a infraestrutura deficiente, como a falta de rede de esgoto, por exemplo, aumentam a incidência das doenças. E as principais vítimas são os recém-nascidos.
O pediatra Milton Macedo de Jesus, membro da Sociedade Brasileira de Pediatria e chefe do Departamento de Pediatria da Associação Médica de Londrina (AML), entende que a falta de investimentos em políticas públicas de moradia, saneamento básico e educação faz com que essas doenças ''tornem-se corriqueiras no dia a dia dos brasileiros''.
''É preciso haver um compromisso dos nossos governantes neste tipo de investimento. As crianças e os adolescentes são prioridades máximas em qualquer lugar do mundo. Educando as pessoas e dando condições de higiene é possível minimizar e muito esse quadro'', ressaltou o médico.
Macedo alerta que é necessário incentivar os pais a procurar a rede pública de saúde para imunizar das crianças. ''O plano de imunização do Brasil é muito bom. Existe na rede pública vacinas para muitas doenças, como meningite e hepatite, por exemplo. Não podemos admitir que existam crianças com essas doenças porque não foram imunizadas'', criticou.
Em Londrina, uma das maiores preocupações é em relação aos casos de dengue. A cidade viveu uma epidemia em 2011, com mais de 7 mil casos. O pedreiro Francisco Natalício da Silva, de 58 anos, morador do Jardim Monte Cristo (Zona Leste), foi vítima da doença em 2007. Ele reconhece que o descarte de lixo em terrenos baldios do bairro é um dos responsáveis pelo alto número de casos na região.
''Você tem que cuidar do seu quintal e também da frente da casa. Mas aqui todo mundo passa e joga lixo na rua e nos fundos de vale. Vivemos uma situação complicada'', lamentou o pedreiro. Na mesma época em que ficou doente, uma neta que morava com ele também contraiu a doença.
O infectologista Jan Valter Estegmann esclarece que a dengue é uma doença típica de países tropicais e pobres e que a somatória da falta de educação das pessoas com infraestrutura deficiente é determinante para o grande número de casos. Segundo o médico, um grupo de pesquisadores do Espírito Santo está testando uma vacina para os quatro tipos da dengue encontrados no Brasil. ''Acredita-se que em até três anos esta vacina deve estar à disposição para ser comercializada'', relatou.(Com Agência Brasil)


