Mudanças climáticas prejudicam agricultura
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de fevereiro de 2007
Amanda Rossi<BR>Agência Estado 
São Paulo - A produção agrícola brasileira terá uma queda de 25% caso se concretize a previsão do Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática (IPCC) para o clima mundial. Em relatório divulgado ontem em Paris, o IPCC estima que a temperatura mundial vai aumentar entre 1,8º C e 4º C até o fim do século.
O aquecimento global, além de provocar alterações expressivas no clima em longo prazo, como o aumento da temperatura, causa também mudanças imediatas. De acordo com o meteorologista Paulo Etchichury, o fenômeno vai intensificar situações climáticas extremas.
Períodos de chuvas abundantes, como as que ocorreram no Sudeste entre o final de 2006 e início de 2007, vão se repetir com frequência. Segundo o diretor do Centro de Pesquisas Meteorológicas Aplicadas em AGricultura, da Unicamp, Hilton Pinto, com uma elevação de 1º C na temperatura haverá uma elevação entre 5% e 15% na quantidade de chuvas. Só que não são chuvas agrícolas, são temporais, como os vistos recentemente em Minas Gerais, diz ele.
No Sul, a tendência é que aconteçam cada vez mais tornados, como os de Santa Catarina em 2005. Já no Nordeste, a agricultura vai sofrer porque o aumento da evaporação causado pelas temperaturas maiores reduzirá os níveis de água dos lençóis freáticos.
Cerca de 75% das emissões brasileiras de CO2 (cujas concentrações elevadas provocam o aquecimento global) são provenientes das queimadas na Amazônia, realizadas principalmente para expandir a fronteira agrícola para pecuária e soja, principalmente. Isso coloca o Brasil entre os cinco maiores emissores de gás carbônico do mundo, diz Carlos Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Outro grande responsável pelas emissões são as liberações de metano - que favorecem as elevações de temperatura - no processo digestivo do gado. Segundo Nobre, existem muitas pesquisas para mudar a dieta do gado intensivo, de modo a gerar menos metano. Mas ainda não existem dados conclusivos a esse respeito.
Segundo Pinto, se houver uma elevação de 3º C na temperatura, haverá uma perda agrícola em torno de 60% na cultura de café e de 39% na de soja (valores calculados levando em consideração a área potencial atual de produção). Ainda no café, o prejuízo está estimado entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões por ano, levando em consideração o valor atual de cerca de R$ 280 a saca.
A pecuária também será fortemente prejudicada. Os efeitos do aquecimento global nos animais incluem redução drástica na produção de leite, aumento no número de abortos e, nas aves, a produção de ovos sem casca.
Hilton Pinto diz que as mudanças climáticas já ocorridas revelam o futuro da agropecuária brasileira. Não são provas extremamente científicas, mas mostram o que está acontecendo no Brasil, afirma.
São Paulo - A produção agrícola brasileira terá uma queda de 25% caso se concretize a previsão do Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática (IPCC) para o clima mundial. Em relatório divulgado ontem em Paris, o IPCC estima que a temperatura mundial vai aumentar entre 1,8º C e 4º C até o fim do século.
O aquecimento global, além de provocar alterações expressivas no clima em longo prazo, como o aumento da temperatura, causa também mudanças imediatas. De acordo com o meteorologista Paulo Etchichury, o fenômeno vai intensificar situações climáticas extremas.
Períodos de chuvas abundantes, como as que ocorreram no Sudeste entre o final de 2006 e início de 2007, vão se repetir com frequência. Segundo o diretor do Centro de Pesquisas Meteorológicas Aplicadas em AGricultura, da Unicamp, Hilton Pinto, com uma elevação de 1º C na temperatura haverá uma elevação entre 5% e 15% na quantidade de chuvas. Só que não são chuvas agrícolas, são temporais, como os vistos recentemente em Minas Gerais, diz ele.
No Sul, a tendência é que aconteçam cada vez mais tornados, como os de Santa Catarina em 2005. Já no Nordeste, a agricultura vai sofrer porque o aumento da evaporação causado pelas temperaturas maiores reduzirá os níveis de água dos lençóis freáticos.
Cerca de 75% das emissões brasileiras de CO2 (cujas concentrações elevadas provocam o aquecimento global) são provenientes das queimadas na Amazônia, realizadas principalmente para expandir a fronteira agrícola para pecuária e soja, principalmente. Isso coloca o Brasil entre os cinco maiores emissores de gás carbônico do mundo, diz Carlos Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Outro grande responsável pelas emissões são as liberações de metano - que favorecem as elevações de temperatura - no processo digestivo do gado. Segundo Nobre, existem muitas pesquisas para mudar a dieta do gado intensivo, de modo a gerar menos metano. Mas ainda não existem dados conclusivos a esse respeito.
Segundo Pinto, se houver uma elevação de 3º C na temperatura, haverá uma perda agrícola em torno de 60% na cultura de café e de 39% na de soja (valores calculados levando em consideração a área potencial atual de produção). Ainda no café, o prejuízo está estimado entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões por ano, levando em consideração o valor atual de cerca de R$ 280 a saca.
A pecuária também será fortemente prejudicada. Os efeitos do aquecimento global nos animais incluem redução drástica na produção de leite, aumento no número de abortos e, nas aves, a produção de ovos sem casca.
Hilton Pinto diz que as mudanças climáticas já ocorridas revelam o futuro da agropecuária brasileira. Não são provas extremamente científicas, mas mostram o que está acontecendo no Brasil, afirma.


