Mudanças climáticas potencializam epidemias
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segunda-feira, 07 de abril de 2008
Cláudia Palaci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O aquecimento do clima pode ser um fator determinante no avanço de casos de doenças tropicais já que as altas temperaturas propiciam a proliferação de mosquitos e vírus. A conclusão foi uma das temáticas abordadas ontem durante audiência pública na Assembléia Legislativa do Paraná, organizada em comemoração ao Dia Mundial da Saúde, 7 de abril, pelo presidente da Comissão de Ecologia e Meio Ambiente, deputado estadual Luiz Eduardo Cheida (PMDB) para discutir idéias de políticas públicas e estudos científicos de combate e monitoramento às doenças. O reaparecimento ou epidemias de febre amarela, malária, meningite e dengue em diversas partes do planeta, chamou a atenção da Organização Mundial da Saúde que, pela primeira vez, abordou saúde e clima como assuntos correlatos. As condições de saneamento das cidades e o combate aos focos de doenças pela população, também são considerados primordiais na prevenção de epidemias de doenças tropicais.
As secretarias de Saúde e Meio Ambiente pretendem trabalhar em conjunto e desenvolver trabalhos que contribuam para o monitoramento de focos de doenças, ações preventivas e retardamento de impactos ambientais. Atualmente, o Estado conta com rede de laboratórios de entomologia (estudo dos insetos), de controle da qualidade da água, de controle de infestações, além de rede de vigilância sanitária.
Cheida defende uma ação educacional junto à população por meio de campanhas explicativas e repreensão. O deputado estuda a apresentação de um projeto de lei baseado na experiência de Singapura, onde o cidadão displicente é multado. ''Dados mostram que 95% dos casos de dengue, por exemplo, foram provocados por desleixo. A legislação não pode deixar impune quem não é responsável com a vida'', diz.
Segundo o pesquisador e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Francisco Mendonça, estudos indicam que a temperatura média deverá subir em entre 2 e 6 graus. Nos últimos 50 anos, a variação foi de 1 grau, em especial nas temperaturas mínimas, tornando os invernos mais quentes. Como o calor acelera o processo de reprodução de mosquitos, o verão é uma estação crítica. Londrina, por exemplo, sofreu uma epidemia de dengue em 2003 quando 12 mil casos foram registrados.
A temperatura local estava entre 25 a 30 graus e chuvas intermitentes, ou seja, condições perfeitas para o aparecimento em larga escalo do Aedes Aegypti, mosquito transmissor da dengue. Como o clima também altera o ciclo de chuvas, em casos de inundações ou contaminação de água, incitam patologias como cólera ou leptospirose.


