MUDANÇAS CLIMÁTICAS - ONU pede medidas contra desertificação
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sexta-feira, 16 de junho de 2006
Anne Chaon<br>France Presse 
Paris- As zonas áridas, cada vez mais afetadas pelas mudanças climáticas e a pressão demográfica, perdem anualmente dez milhões de hectares de terras agrícolas, mas este processo pode ser revertido, recorda a ONU por ocasião da comemoração do Dia Mundial contra a Desertificação.
Nas regiões áridas ou desérticas, caracterizadas por escassas precipitações e elevadas taxas de evaporação, vivem mais de dois bilhões de pessoas, 90% das quais nos países em desenvolvimento.
No entanto, ''os diferentes modelos climáticos para os 100 próximos anos prevêem um aumento da seca no interior dos continentes'', afirma Ronald Rinnn, especialista em mudança climática do Massachusetts Institute of Technology (MIT, Estados Unidos). ''A única resposta possível dos governos é adotar medidas de adaptação'', acrescenta.
Segundo o grupo de especialistas sobre a mudança climática dos membros das Nações Unidas (GIEC), nos 30 últimos anos do século XXI as temperaturas podem aumentar de 5 a 7 graus nos desertos (com relação ao período 1960-1990) e os volumes das chuvas podem diminuir de 5% a 15%.
As regiões austrais serão as mais vulneráveis, como o Grande Deserto de Vitória, na Austrália, o do Atacama, no Chile, afirma o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.
A fortíssima erosão, que agrava o processo de desertificação, implica através da areia carregada pelo vento graves problemas de saúde: as tempestades procedentes do deserto de Gobi afetam a China, a Coréia e o Japão, enquanto que as do Saara provocam alergia nos Estados Unidos, assim como danos nos corais do Caribe.
No entanto, ''é preciso diferenciar as mudanças dos solos e o avanço dos desertos'', explica Gil Mahé, especialista em desertificação do Instituto Francês de Investigação para o Desenvolvimento.
''No oeste do continente africano o deserto não avança, embora as dunas se movam. Em compensação, o Sahel sofre uma persistente seca há 35 anos, com entre 10% e 20% de diminuição das chuvas, e as zonas semi-desérticas já baixaram 100 km para o sul'', acrescenta.
No entanto, este processo pode ser antecipado e inclusive invertido em até 30 anos se a mobilização for rápida e geral, segundo ele.
Diversas organizações não-governamentais ajudaram a partir dos anos 70 a fabricar diques de pedra, a plantar árvores e a modificar os cultivos.
A Convenção da ONU para a luta contra a desertificação -ratificada pelos 191 Estados membros e cuja 10º edição acontece em 2006- é dedicada a ''atenuar'' os efeitos da seca nos países mais frágeis.


