Mudança no Provão vai incluir avaliação das universidades
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sexta-feira, 10 de outubro de 2003
Guto Rocha<br> Reportagem Local 
A avaliação do ensino superior deve mudar no ano que vem, com a extinção do Provão. O assessor do Secretário de Ensino Superior (Sesu) do Ministério da Educação, Jorge Gregory, considera que o método utilizado atualmente não é eficiente porque é voltado apenas para avaliação do aluno no final do curso. ''O que temos hoje é apenas um instrumento de avaliação, não temos ainda um sistema que avalie o ensino superior como um todo'', diz Gregory.
O assessor do Sesu afirma que o provão na verdade é uma ''grande enganação'', já que ele não dá condições para avaliar a instituição, e nem parâmetros para a elaboração de políticas voltadas para o ensino superior. Gregory, que esteve ontem em Londrina participando de um debate com professores ligados ao Sindicato dos Professores das Escolas Particulares de Londrina, diz que a nova proposta do governo quer avaliar, além dos alunos e cursos, as intituições de ensino superior.
A primeira etapa será uma auto-avaliação, em que a instituição será avaliada com base em critérios determinados pelo Ministério da Educação, pelos professores, estudantes e funcionários da instituição. Numa segunda etapa, a avaliação será feita pelo governo e pela sociedade. Nessa fase, os dados apresentados pelas instituições na sua auto-avaliação serão confrontados com o resultado da avalição externa.
Mesmo com as mudanças, os estudantes continuarão a ser avaliados. Gregory explica que no novo sistema foi criado o Paidéia (Processo de Avaliação Integrada do Desenvolvimento Educacional e da Inovação da Área). Serão elaboradas provas para os estudantes com conteúdo geral das áreas de formação (humanas, exatas, biológicas). Essas provas, segundo Gregory, serão aplicadas no meio e no final do curso. ''Esse tipo de avaliação nos dará condições de medir o aproveitamento do estudante durante a sua vida acadêmica.''
O novo sistema de avaliação inclui uma nova metodologia para o credenciamento de novas instituições de ensino. Segundo Gregory a idéia é que inicialmente, quando um novo curso superior é criado ele fique funcionando apenas com autorização por três anos. ''O credenciamento só é liberado depois que a instituição passar em todas as etapas de avaliação nesse período. E o prazo do credenciamento será concedido de acordo com o resultado dessa avaliação'', diz.
Segundo Gregory, o sistema de avaliação foi elaborado por 20 especialistas que trabalharam quatro meses, além das discussões com a sociedade civil durante mais de 40 audiências públicas realizadas em várias partes do País. A expectativa é que o projeto seja enviado ainda este ano para o Congresso para ser aprovado em regime de urgência, para poder ser aplicado em 2004.


