Os fatores sócio-econômicos não são os únicos responsáveis pela deficiência nutricional do idoso. Na velhice, ocorrem mudanças progressivas no organismo que reduzem funções fisiológicas. ''Ao contrário do desenvolvimento, que acontece na criança, o envelhecimento não tem um ritmo previsto'', ressalta Iucif. Entre as mudanças mais comuns estão a redução do metabolismo, alterações no funcionamento digestivo e na percepção sensorial e a diminuição da sede. ''Outros fatores também são desencadeados pela ingestão habitual de medicamentos. O idoso tem sempre uma doença, a maioria tem três ou mais. Isso interfere na absorção e no metabolismo de nutrientes.''
A qualidade de vida depende desse metabolismo eficiente. Quando o idoso não consegue, por qualquer motivo, absorver os nutrientes necessários, os especialistas utilizam-se dos suplementos. É o caso da ingestão recomendada de 1500 mg de cálcio diariamente. Como a quantidade é grande, as cápsulas entram em ação. Outro exemplo do uso dos suplementes é quando o paciente precisa do selênio, mas não gosta (ou não pode) de comer castanha. Vale lembrar também os casos em que a substituição de alimentos não é eficaz, como a Vitamina B12, de origem animal. Sua carência pode causar anemia e problemas neurológicos.
Há casos em que suplementos são injetáveis. A atenção especial volta-se para os ''corpos fragilizados'', mais comuns a partir dos 70 anos. Nessa fase, o organismo sente o efeito da alimentação de toda a vida até então, e, consequentemente, as ausências nutricionais. ''Temos duas idades e nem sempre uma corresponde à outra. O fumo, o álcool, a alimentação desequilibrada e a exposição solar excessiva nos envelhecem mais rápido. A idade cronológica será uma, a fisiológica, outra'', destaca Jocelem.

REEDUCAÇÃO - Para chegar lá bem, voltemos aos 30 anos quando começamos nosso envelhecimento e a alimentação precisa ser mudada. As gorduras devem ser reduzidas, frituras têm de ser evitadas. O azeite virgem é bom para as artérias, mas nada de preparar pratos! As fibras são excelentes. É preciso moderação no consumo de álcool, açúcar, sal e gordura. Medidas úteis para evitar, no futuro, doenças cardiovasculares e câncer de mama e próstata.
Os nutrólogos ressaltam que a mudança gradual é a arma para a reeducação alimentar. ''A velocidade que o paciente vai aderir é subjetiva. É preciso considerar a personalização do cardápio e priorizar as mudanças que precisam ser feitas'', revela a nutricionista Roseli Rossi.(A.E.)

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