Mudança no DPVAT retira R$ 250 mi de hospitais
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Emilio SantAnna<br> Agência Estado 
São Paulo - Uma mudança na forma de pagamento do DPVAT, o seguro obrigatório cobrado anualmente de proprietários de veículos, retirou dos hospitais conveniados ao SUS o ressarcimento direto pelos gastos com atendimento a vítimas de acidentes de trânsito. A perda dos hospitais com essa alteração pode chegar a R$ 250 milhões, segundo estimativa da Associação Nacional de Trânsito (Anatran).
A Medida Provisória nº 451, que entrou em vigor em 1º de janeiro, tem causado confusão no setor porque passa a permitir apenas que o acidentado seja tratado nos hospitais usando a verba vinda do repasse do SUS, que é cerca de 30% mais baixa do que a paga pelo seguro. Antes da mudança, os estabelecimentos podiam, por meio de procuração assinada pelo paciente, requisitar um valor do DPVAT para custear o atendimento.
E se o paciente for levado a um hospital privado sem convênio com o SUS? O texto não é claro e ainda há muita confusão, questiona o diretor de relações institucionais e jurídicas da Anatran, Luis Francisco Flora. O que essa MP vai fazer na prática é retirar dinheiro do Ministério da Saúde para dar às seguradoras.
Segundo a Superintendência de Seguros Privados (Susep), a lei que deu origem ao DPVAT, em 1974, já deixava clara a proibição dos hospitais conveniados ao SUS de cobrar do seguro o ressarcimento. Para a entidade, as mudanças trazidas pela MP 451 seriam uma forma de reforçar o impedimento dos hospitais de realizar uma dupla cobrança.
Em nota, a entidade defendeu a medida, dizendo que o estabelecimento credenciado ao SUS tem de obrigatoriamente receber somente do SUS nos casos de atendimento às vitimas de acidente de trânsito. Segundo a Susep, o sistema já recebe vultoso repasse do valor do prêmio do DPVAT para este fim, não cabendo exceção nesta hipótese.
Em 2008, R$ 4,645 bilhões foram arrecadados com a cobrança do seguro obrigatório no País. Desse valor, pouco mais de R$ 2 bilhões foram destinados ao Fundo Nacional de Saúde (FNS) para custear o tratamento médico dos acidentados e pouco mais de R$ 142 mil foram pagos diretamente às vítimas de acidentes para a reparação de despesas médico-hospitalares.


