Rio, 14 (AE) - A mudança nas regras do câmbio pelo Banco Central (BC) não eliminaram, em um primeiro momento, a desconfiança dos investidores externos quanto à economia brasileira, de acordo com analistas. A credibilidade do País, que atrairia novos capitais para reforçar as reservas, só pode ser alcançada com a aprovação do programa de ajuste fiscal.
O presidente do Banco Fleming Graphus e ex-presidente do Citibank no Brasil, Roberto do Valle, alertou que a o nível de saída de dinheiro do Brasil, previsto para os próximos dias, vai ser o ``termômetro' do sucesso da mudança no câmbio. ``A medida foi na direção certa, mas se é suficiente, é outra pergunta', avisou do Valle.
Para ele, os investidores externos não perceberam a troca de presidente do BC e a mudança da política cambial como soluções suficientes. ``Quem viu esse cenário de fora já assistiu a esse filme em outros lugares, como o México e Tailândia', citou. O presidente do Fleming Graphus também insistiu na necessidade de aprovação do ajuste fiscal para impedir a saída de mais reservas.
``Se não vier o ajuste fiscal, as pessoas não vão acreditar no País', concorda o vice-diretor de Tesouraria do Banco Brascam, Luiz Fernando Romano. Ele lembrou que, sem isto, o Brasil está ameaçado de não conseguir renovar seus compromissos previstos para vencer este ano - cerca de US$ 33 bilhões.``Só mexendo no câmbio não resolve, porque não se consegue baixar os juros', avaliou o vice- diretor do Brascam. ``O câmbio é só um paliativo', afirmou.
Na área internacional do Banco Bozano, Simonsen, o gerente Roberto Campos Neto disse que a eficácia da medida só vai poder ser avaliado nos próximos dias. ``O que as pessoas querem saber é como vai ser a administração disso no dia-a-dia', afirmou. O fluxo de capitais investidos nos papéis brasileiros vai ser importante para determinar o sucesso da alteração, segundo Campos Neto. ``Se o continuar ruim, o governo terá de fazer alguma outra coisa', afirmou.

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