Mudança no Banco Central surpreende argentinos
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terça-feira, 02 de fevereiro de 1999
Por Ariel Palacios 
Buenos Aires, 02 (AE) - "Como, outra vez?". Esta pergunta foi a primeira reação de economistas e analistas em Buenos Aires, surpresos pela segunda mudança de presidente do Banco Central brasileiro em menos de três semanas. A segunda reação, ao saber que o cargo seria ocupado por Armínio Fraga, nem sempre era positiva. O fato de ser considerado"um homem de Soros", não funcionou como uma fórmula mágica, apesar da respeitabilidade que o magnata húngaro possui no país. George Sors é o principal latifundiário da Argentina, título que arrebatou da família Benetton no ano passado. Além disso, é proprietário de todos os grandes shoppings de Buenos Aires.
"Lembrando as recentes declarações de Soros a favor do Brasil, parece que esta designação de Armínio Fraga para o cargo de presidente do BC é uma espécie de aliança tática entre o governo brasileiro e o magnata húngaro. Além disso, a troca de Francisco Lopes por Fraga também coincidiria com a visita do FMI", sustentou o ex-vice-ministro da Economia, o economista Eduardo Curia. O ex-vice-ministro afirmou que "se bem que possamos dizer que é bom que o presidente do BC seja alguém vinculado a órgãos financeiros internacionais, me dá a impressão de que por mais que as pessoas que ocupem esse cargo sejam bem preparadas, deverão lidar com um problema objetivo muito grande". Segundo Curia, "não é suficiente só ter respaldo. Além disso, o governo deve definir este esquema, que até o momento foi sendo feito aos tropeços. Ainda não está claro o que será feito com a dívida interna e externa".
Curia afirmou que não sabe "o que Fraga pensa", mas disse que "se o fato de ter assessorado Soros garante uma catarata de recursos, esta mudança de presidente do BC é importante". Curia afirmou que "isso daria um certo clima de enquadramento da economia, de que ela vai na direção certa".
"Antes de hoje, nunca tinha ouvido falar nele", disse o ex-ministro da Economia Roberto Alemann, que criticou a mudança de presidente do Banco Central: "Isto revela que a situação do Brasil não é estável. Mudar o presidente do BC é causar
Segundo Alemann, "o sinal que o governo do Brasil está mandando é que não sabem o que fazer...". O ex-ministro considera que o fato de Fraga "ser um homem de Soros não implica que a situação vá melhorar ou piorar. O governo brasileiro está fazendo ensaios com a economia".
Nos canais de TV e nas rádios portenhas a troca de Lopes por Fraga foi um dos temas principais e foi constante a relação do novo presidente do BC com Soros. O canal de notícias "TN" anunciou a mudança com o título de "Crise no Brasil". Mesmo assim, a imprensa argentina deu destaque à estabilidade que o real teve durante o dia.


