Curitiba - O atraso no pagamento das diárias do ano passado e a mudança da forma do pagamento neste ano foram motivo de reclamações por parte dos servidores. Em 2014, o Estado pagava R$ 180 ao dia, sendo R$ 126 de estadia e R$ 54 para alimentação. Neste ano, os servidores receberão R$ 70 de alimentação e o acerto da hospedagem será feito diretamente aos estabelecimentos pelo governo.
Segundo o presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Paraná (Sidepol), Cláudio Marques Rolin e Silva, o valor antigo das diárias já era "ínfimo", para profissionais que precisam trabalhar longe de suas famílias. "O policial agora vai ter que tirar dinheiro do próprio bolso para satisfazer uma função de interesse do Estado. Não vamos deixar de cumprir, porque é isso que fazemos quando recebemos uma missão, mas é algo que nos deixa indignados", criticou.
Como forma de enfrentar a crise econômica, Silva defendeu a redução no repasse ao Tribunal de Justiça (TJ), ao Tribunal de Contas (TC) e ao Ministério público (MP), que recebem 9,5%, 1,9% e 4,1% do orçamento do Executivo, respectivamente. "Existe uma ilha de prosperidade em alguns poderes – a Casa Grande – enquanto nós somos tratados como a senzala. Nosso investigador recebe R$ 70 (de alimentação) e um promotor R$ 700. Ou seja, vale dez vezes mais. Talvez o estômago dele seja maior...", ironizou. O sindicalista completou que continuará buscando o diálogo junto à administração, entretanto, caso as demandas da categoria não sejam atendidas, não descartou recorrer ao Poder Judiciário.
Questionado pela FOLHA sobre a polêmica, durante o lançamento do Plano da Metrópole Paraná Norte, em Curitiba, o governador Beto Richa (PSDB) argumentou que a redução das diárias está inserida no contexto de ajuste fiscal, promovido pela atual gestão. O tucano garantiu, porém, que não haverá prejuízo algum aos trabalhadores ou à população que frequenta o litoral.
"Os policiais inclusive pedem para fazer a Operação Verão. Nós tivemos que diminuir os gastos. Alugamos pousadas, onde eles ficarão e receberão alimentação. Não dá mais para fazer como antes. Nada contra, mas os tempos atuais não permitem mais usar a diária para levar a família para a praia. Eles estão lá para trabalhar, dentro de uma escala – com folga e descanso. Ficarão bem alojados e terão tudo o que é necessário para fazer um bom trabalho", afirmou.

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