A eventual mudança na Lei de Doação de Órgãos não trará alterações no trabalho realizado no Paraná. De acordo com a Central de Transplantes do Estado, a necessidade de autorização da família para a retirada de órgãos das vítimas de morte cerebral é uma prática comum no Estado. O respeito à vontade dos familiares continuou mesmo depois da Lei 9.434, que criou a figura do doador presumido.
Ouvir os familiares não é uma prática apenas da Central de Transplantes. Os médicos que realizam transplantes em Curitiba também dizem que nunca deixaram de conversar com os parentes das vítimas. ‘‘É uma questão de ética profissional. Recebemos essa orientação do Conselho de Medicina e da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos’’, diz o médico Júlio Coelho, chefe do Setor de Cirurgia do Aparelho Digestivo e de Transplante de Fígado do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná.
Segundo o nefrologista Ronaldo Moreno de Carvalho, coordenador do Setor de Transplantes do Hospital Cajuru, a mudança na lei não mudará o trabalho dos transplantadores do País. ‘‘Essa alteração será apenas uma retificação que atende a vontade dos médicos brasileiros’’, diz. Ele afirma que, independente de leis, os médicos não podem deixar de ouvir os familiares dos pacientes que morrem. Para Carvalho, a implantação da lei de doação de órgãos começou erroneamente. Segundo ele, o Brasil não precisava de uma lei que obrigasse as pessoas a dizerem se eram ou não doadoras, mas sim de campanhas educativas que orientassem sobre o que é morte encefálica, transplante e seus benefícios. Ele diz que a chegada da lei 9.434, ao invés de trazer benefícios reduziu o número de doadores.

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