Mudança não altera rotina no PR
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quinta-feira, 06 de agosto de 1998
Adriana Ribeiro 
A eventual mudança na Lei de Doação de Órgãos não trará alterações no trabalho realizado no Paraná. De acordo com a Central de Transplantes do Estado, a necessidade de autorização da família para a retirada de órgãos das vítimas de morte cerebral é uma prática comum no Estado. O respeito à vontade dos familiares continuou mesmo depois da Lei 9.434, que criou a figura do doador presumido.
Ouvir os familiares não é uma prática apenas da Central de Transplantes. Os médicos que realizam transplantes em Curitiba também dizem que nunca deixaram de conversar com os parentes das vítimas. É uma questão de ética profissional. Recebemos essa orientação do Conselho de Medicina e da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, diz o médico Júlio Coelho, chefe do Setor de Cirurgia do Aparelho Digestivo e de Transplante de Fígado do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná.
Segundo o nefrologista Ronaldo Moreno de Carvalho, coordenador do Setor de Transplantes do Hospital Cajuru, a mudança na lei não mudará o trabalho dos transplantadores do País. Essa alteração será apenas uma retificação que atende a vontade dos médicos brasileiros, diz. Ele afirma que, independente de leis, os médicos não podem deixar de ouvir os familiares dos pacientes que morrem. Para Carvalho, a implantação da lei de doação de órgãos começou erroneamente. Segundo ele, o Brasil não precisava de uma lei que obrigasse as pessoas a dizerem se eram ou não doadoras, mas sim de campanhas educativas que orientassem sobre o que é morte encefálica, transplante e seus benefícios. Ele diz que a chegada da lei 9.434, ao invés de trazer benefícios reduziu o número de doadores.


