A vida moderna e o estresse provocado pelo excesso de trabalho têm levado a população urbana brasileira à uma mudança nos hábitos alimentares. A maioria das pessoas tem procurado compensar cansaço, carência afetiva e insatifações profissionais, por exemplo, na comida e, a consequência, é a ingestão de alimentos que oferecem maior grau de saciedade e valor calórico, como os carboidratos e as gorduras. Os alimentos funcionais foram tema de palestra ontem na Expo Imin 100, que está sendo realizada no Parque Ney Braga.
Este fenômeno teve início no Brasil há 30 anos, segundo o pesquisador Paulo Guilherme Ferreira Ribeiro, do Instituto Agronômico do Paraná. Segundo ele, esta mudança de hábitos está sendo espelhada nos países desenvolvidos como os Estados Unidos e a União Européia. ''No geral os brasileiros comem bem, mas está havendo esta mudança de hábitos para pior. Além disso, há uma divergência entre os hábitos de alimentação nas Regiões Sul e Norte do País e entre as populações urbanas e rurais'', comentou.
A consequência desta má alimentação são o aumento das doenças coronárias, da diabetes e do câncer. A população urbana, por exemplo, está ingerindo alimentos com menos quantidade de nutrientes e com menor capacidade de nutrição. Devem frequentar a mesa dos brasileiros todos os alimentos em geral como arroz, feijão, mandioca, carnes, peixes, vegetais e frutas tropicais. Também é importante a variedade de alimentos. ''As frutas tropicais oferecem muitos minerais, mas os brasileiros comem poucas frutas'', observou Ribeiro.
Ele acrescentou que o aumento da ingestão de frutas e vegetais faz com que as pessoas comam menos ''alimentos vazios'' porque têm mais fibras, que proporcionam uma sensação de saciedade. A combinação típica brasileira, o arroz e feijão, é indispensável à uma boa alimentação. A sua ingestão para ser equilibrada deve ser na proporção de três porções de arroz para uma de feijão diariamente. As proteínas desta mistura garantem um bom funcionamento imunológico ao organismo.
Segundo o pesquisador, a ingestão de carne vermelha diariamente é desnecessária. ''O consumo diário de carne, inclusive, acelera o envelhecimento precoce'', salientou. Para uma mulher em idade reprodutiva a ingestão de carne vermelha deve ser feita duas vezes por semana; quando a mulher entra na menopausa este consumo deve ser reduzido para uma vez por semana. Neste período a mulher pára de menstruar e, portanto, não perde mais o ferro. E o mais inusitado é que os homens precisam menos ainda de carne do que as mulheres porque não menstruam. Ele também orientou o consumo de alimentos orgânicos, devido à maior concentração de nutrientes. ''Além disso, os orgânicos não trazem os pesticidas'', comentou.

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