Londrina - A redução da carga horária de disciplinas como sociologia, filosofia, artes e línguas estrangeiras está causando descontentamento em parte da comunidade escolar. Na manhã de ontem alunos e professores, além de representantes de outras entidades de classe, se reuniram no Calçadão (área central) para protestar e também alertar a comunidade sobre a mudança.
Na semana passada, durante entrevista sobre a prova do Sistema de Avaliação da Educação Básica do Paraná (Saep), a superintendente da Educação do governo do Estado, Meroujy Cavet, já havia comentado sobre a alteração com a reportagem da FOLHA.
A principal reclamação é que a alteração está sendo proposta somente no final do ano letivo, quando professores e alunos estão ocupados com as avaliações finais e não podem se dedicar a discutir o assunto. ''Estão subestimando a formação humana dos alunos. A sociedade não é feita só por quem sabe fazer conta e ler'', reclama Lorena Gomes da Silva, aluna do ensino médio do Colégio Estadual Professora Ubedulha C. de Oliveira, no Conjunto Luiz de Sá (zona norte) e mãe de uma aluna do ensino fundamental na mesma escola. ''Parei de estudar há 14 anos e voltei agora. Na minha época não tinha sociologia e filosofia, fiquei feliz de aprender agora e quero que a minha filha tenha o mesmo direito'', reclama.
Íkaro Onimaru, aluno do segundo ano do ensino médio na Escola Estadual Adélia Dionísio Barbosa, no Conjunto Parigot de Souza (Zona Norte), explica que se preocupa em ser prejudicado no vestibular. ''Pretendo prestar para psicologia e filosofia e sociologia são essenciais. Assim como o inglês, que já é uma língua universal. Eles deveriam aumentar a carga horária dessas disciplinas e não reduzir'', solicita.
Os professores temem que com a alteração da carga horária os alunos tenham sua formação humanitária prejudicada e que o foco seja somente aumentar as notas do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). A professora de Artes, Cassiane Ferreira Mula, se preocupa em como ministrar o conteúdo em apenas uma aula, além de ter que dobrar o número de turmas para poder cumprir sua carga horária, que é de 20 horas.
André Camargo Lopes, também professor de arte, acredita que o governo estadual não está levando em consideração a realidade socioeconômica dos alunos nem os conteúdos solicitados pelas universidades. ''O vestibular deste ano da UEL teve dez questões de filosofia, dez de sociologia e dez de artes, ou seja, metade da prova. Se eles querem aumentar os índices do Ideb deveriam se preocupar com outros fatores que influenciam na prova, como as famílias desestruturadas, alunos que precisam trabalhar e a evasão.''
A professora de sociologia, Alessana Aparecida da Silva Santos, afirma que é nesta disciplina que os alunos formam o pensamento crítico e aprendem como a sociedade funciona. ''O aluno não pode ser alienado, ele tem que saber como se posicionar, tem que despertar sua cidadania e para isso precisa entender a sociedade.''
Os professores de inglês também estão descontentes com a proposta da nova matriz curricular, que reduziria as aulas de inglês para apenas o primeiro ano do ensino médio. No segundo não haveria nenhuma disciplina de língua estrangeira e no terceiro ano haveria aulas de espanhol. A professora Adriana Serpeloni acredita que as matérias precisam ter continuidade e por isso a nova matriz é inadequada.

mockup