São Paulo, 30 (AE) - O presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo, José Erivalder Guimarães, considera "apenas maquiagem" a mudança do PAS anunciada pela Prefeitura. "O PAS não terminou", afirma. "Só terminará quando forem extintas as cooperativas que administram os módulos; e elas agora só diminuíram de número". Guimarães diz que o sindicato, que representa 30 mil médicos só na capital, não participará do Conselho Supremo de Gestão, proposto pela Prefeitura para avaliar o "novo" sistema de saúde.
"Somos contra o PAS e, por isso, nem sequer fomos convidados; mas não participaríamos de qualquer forma". Ele acredita que o prefeito Celso Pitta quer apenas se desvincular do nome PAS. "Ano que vem tem eleições e ele não quer levar a pecha de um projeto falido". A participação do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) no "novo" PAS, por meio do Conselho de Gestão, anunciado pelo secretário municipal de Saúde, Jorge Pagura, ainda não está garantida porque o conselho oficialmente ainda não sabe se o PAS terminou ou não.
O conselheiro Henrique Carlos Gonçalves, do Cremesp, afirmou hoje que a entidade não deverá participar se o conselho tiver alguma ligação com o modelo antigo do PAS - contra o qual a entidade luta desde sua criação, em 1995. "Não fomos convidados oficialmente", disse. "Mas, se for uma participação figurativa ou ligada à filosofia do PAS, não acredito que o conselho vá participar". Gonçalves acredita que a simples união de 14 cooperativas em 4 não significa o fim do PAS. A decisão sobre o assunto deve ser obtida por votação dos 40 integrantes do colegiado do Cremesp, ainda sem data definida. Segundo a Prefeitura, a entidade terá a função de avaliar a a atuação das quatro cooperativas. Apuração - A vereadora Anna Martins (PC do B), autora de um pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o PAS, afirma que a decisão da Prefeitura é um reconhecimento da existência de esquema de favorecimentos ilícitos, controlados por vereadores governistas. Isso, porém, não deverá facilitar a aprovação da CPI, segundo a parlamentar. "Só aprovaremos uma CPI quando os governistas começarem novamente os desentendimentos".
O vereador Carlos Néder (PT), secretário de Saúde na gestão da ex-prefeita Luiza Erundina, acredita que o conteúdo foi mantido. "Mudaram a grife, mas o esquema continua". Ele acredita que o PAS não teve como prioridade a saúde pública e só serviu para alimentar a corrupção. (U.P.)

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