Mudança de vida é possível
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quinta-feira, 14 de novembro de 2013
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Londrina - "A união de vários profissionais foi essencial na minha recuperação. O fato de acreditarem em mim fez que eu também passasse a acreditar em mim mesmo." A frase é de Diogo Ostapechem, hoje com 20 anos, que falou de sua história ao público do evento. Num passado não muito distante, ele foi um dos internos do antigo Educandário, atual Centro de Sócio-educação (Cense) 2, onde mudou o pensamento de que o crime era o melhor caminho. "No início, aos 14 anos, passava o dia todo fumando maconha, soltando pipa e tomando refrigerante. Acreditava que aquilo era diversão. Depois, passei a vender drogas. E, mais uma vez, acreditando que o crime era o máximo."
Encarcerado, teve a oportunidade de concluir o ensino fundamental. Já no semiaberto, o apoio dos profissionais e o primeiro emprego. "Sair do centro e voltar para a vida real foi como se tivessem me largado no meio do deserto, sem tem para onde ir. Era muito mais fácil voltar ao crime de novo. Porém, me lembrei do que ensinaram: cada degrau é um degrau a mais. E se eu quisesse chegar a algum lugar diferente, teria que tomar um rumo diferente", comentou ele, recordando de seu emprego como pintor.
Feliz com a nova vida e trabalhando num restaurante, onde é reconhecido pelo seu desempenho, Ostapechem garante que o crime ficou definitivamente no passado. "Querer mudar é importante, mas ter a chance e apoio são fundamentais. A escola foi responsável por abrir minha mente e para que eu visse que havia um mundo muito maior do que aquele em que eu vivia."
E é justamente pela educação que, segundo Silvia Alapanian, doutora em Serviço Social e Política Social, participante da mesa redonda, deve começar a mudança. "O discurso é antigo, mas é a luz que vai, realmente, dar um sentido novo às vidas dessas crianças."
Para isso, além do que ela chama de revolução da educação, se fazem necessários outros aparatos sociais que "seduzam" a criança e o adolescente a quererem sair daquele meio. "É preciso ter cultura, rede de saúde, esporte, música, lazer dando suporte a esse jovem que está ou voltou para a rua. Tudo isso deve ser prioridade das políticas públicas, e não mais a construção de centros de ressocialização e presídios. Do contrário, os filhos da política de hoje serão os menores em conflito com a lei daqui dez anos e, assim, por diante. Permanecer como está é uma tragédia anunciada", desabafou a professora, complementando que a sociedade deve encampar o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) a fim de que os direitos sejam garantidos.


