Marcos Zanatta
De Maringá
Passageiros temem que desativação do terminal central de Maringá possa aumentar insegurança nos pontos centrais
Usuários do transporte coletivo de Maringá reclamam das condições do terminal urbano, mas estão apreensivos com sua desativação, que deve ser ocorrer com a implantação da catraca eletrônica. A maior parte dos passageiros ouvidos pela Folha no interior do terminal durante a semana critica a falta de condições adequadas na plataforma e de segurança nos acessos. ‘‘A calçada até a Avenida Duque de Caxias é um corredor de assaltantes durante a noite. Eles ficam nos bares esperando a gente passar’’, disse a cozinheira Natalina Pereira dos Santos.
Moradora de Sarandi, ela usa o terminal urbano diariamente e volta para casa à noite. ‘‘Quando recebo o salário coloco todo dinheiro na meia. Se deixar em bolsa ou nos bolsos corro o risco de ficar sem’’, disse. Natalina ‘‘calcula’’ que já foi assaltada seis vezes. ‘‘Perdi as contas’’. Outro problema do terminal durante a noite, segundo ela, é o grande número de desocupados na plataforma de embarque e de prostitutas. ‘‘Quando eles mexem ou até atacam a gente, ninguém se envolve com medo de ser agredido’’.
A maior parte dos ‘‘desocupados’’ que frequentam o terminal e as calçadas próximas ficam sempre armados. Segundo a caixa de supermercado Maria Lima de Souza, que mora no Parque Hortência e usa o terminal todos os dias, agora os marginais estão usando canivetes. ‘‘São aqueles vendidos no Paraguai, que cortam como um estilete’’, disse. Ela contou que quando volta do trabalho para casa, de noite, procura pegar linhas que coincidem. ‘‘Chego no terminal e já entro no ônibus que vai para meu bairro. Evito ficar aqui por muito tempo’’, revelou.
O eletricista João Mandrot, que mora na Zona 7 e usa o terminal apenas de dia e de vez em quando, disse que o problema não se resume aos desocupados. ‘‘O que preocupa aqui é ficar mais de 20 ou 30 minutos esperando um ônibus’’, reclamou. Segundo ele, se os horários fossem mais ‘‘coordenados’’, até a polícia teria melhores condições de ver quem está à toa no terminal. ‘‘Quem ficava muito tempo na plataforma seria suspeito’’, exemplificou. Os usuários, no entanto, têm dúvidas se o melhor é trocar o terminal pelo sistema de catracas eletrônicas.
Com as catracas, explicou o secretário de Transportes de Maringá, José Henrique Ruschi de Camargo, o terminal vai ser desativado, mas os ônibus continuam passando pela área. Apenas a cobertura e as cercas serão retiradas, abrindo a Avenida Tamandaré, onde está o terminal, para o trânsito normal de veículos. Os ônibus vão continuar passando pelos pontos normais do centro, apenas para embarque e desembarque de passageiros. ‘‘O terminal apenas vai perder a característica de confinado’’, disse Camargo.
Para os usuários, a catraca pode ser uma novidade ‘‘boa’’, mas como toda mudança, gera dúvidas. ‘‘Será que vai funcionar como é hoje’’, questionou o eletricista João Mandrot. Ele receia ainda que apenas com os ‘‘pontos’’ dos coletivos nas calçadas, falte espaço para as pessoas ficarem.
‘‘Na hora de maior movimento muita gente fica na plataforma do terminal e todo esse pessoal não vai caber na calçada’’. A caixa Maria Lima de Souza tem ‘‘medo’’ apenas de não ter onde ficar nos dias de chuva. ‘‘O dia que chove o ônibus atrasa, e a gente fica aqui dentro no frio, mas pelo menos protegida da chuva’’.

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