Mudança de normas para o câmbio agrada analistas
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quarta-feira, 27 de outubro de 1999
Por Paula de Santis 
São Paulo, 28 (AE) - A redefinição do piso e do nível de reservas líquidas do País - que representa a possibilidade de o Banco Central (BC) vender e comprar dólares para controlar a cotação do real - foi considerada satisfatória por muitos economistas.
Ao volume de recursos de que a autoridade monetária dispõe para intervir - US$ 7,415 bilhões em novembro e dezembro - somam-se ainda as garantias derivadas da troca da dívida externa em bônus Brady para bônus globais, a emissão de US$ 525 milhões em eurobônus (que devem contar a partir de novembro) e parte de um empréstimo de US$ 2,2 bilhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). De acordo com o economista do Lloyds Bank, Adauto Lima, até o fim do ano, o BID deve enviar ao País US$ 1,2 bilhão.
Dezembro é citado como o mês em que o mercado pode ser mais pressionado. Segundo uma empresa de pesquisa independente, o vencimento de eurobônus (títulos da dívida externa) no mês chegará a US$ 1,3 bilhão, ante US$ 1,1 bilhão de novembro. Por isso não está eliminada a hipótese de intervenção nesse período.
Segundo o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), há uma redução de US$ 1,6 bilhão na posição de reservas líquidas de novembro para dezembro. A estimativa da economista do Banco Santander, Camila de Faria Lima, era de queda de US$ 700 milhões. "A redução do nível de reservas está sendo adequada à amortização da dívida", explica. "A pressão sobre esses recursos até agora foi um reflexo da preocupação de que as metas traçadas com o FMI poderiam não ser cumpridas."
O economista do BankBoston, Marcelo Cipriano, diz ainda que o mercado pode ter problemas de liquidez no último mês do ano. Segundo ele, o volume de operações financeiras deve cair por causa do risco do bug do ano 2000. Para Camila, os investimentos serão postergados e não cancelados.
Lima, do Lloyds, cita ainda, para dezembro, a concentração do pagamento de Adiantamentos de Contratos de Câmbio (ACC) - financiamento de operações de comércio exterior - das empresas privadas.
Até lá, as intervenções esporádicas dependerão das turbulências no mercado externo, dizem os economistas. E segundo Cipriano, o BC pretende influenciar o mercado, mostrando que tem muito espaço para intervir, independente do que acontecer. "A instituição precisa evitar a antecipação de compra de dólar."
Os bancos prevêem e querem que o dólar encerre o ano cotado a menos de R$ 2,00. O Banco Santander estima uma taxa de câmbio de R$ 1,95. Lima, do Lloyds, não mencionou um número exato, mas a previsão fica aquém dos R$ 2,00. "A moeda tem elementos para ceder e deve fazer isso, até mesmo para evitar a inflação", diz ele. "O governo tem de impedir a tendência de alta."


