Mudança de hábito tem que começar em casa

O Ministério da Saúde lançou ontem, durante a divulgação do Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (Erica), uma portaria visando ampliar a oferta de refeições saudáveis e proibindo a comercialização de alimentos industrializados nas unidades do órgão. A ideia é levar a proposta para outros órgãos do governo.
O ministro da Saúde, Ricardo Barros, pretende também apresentar ao Congresso Nacional uma proposta para regulamentar a comercialização e publicidade de alimentos e bebidas industrializados em escolas públicas e privadas.
Apesar dos dados negativos do Erica, a nutricionista Silvia Spinelli, professora do curso técnico em Nutrição e Dietética da TECPUC, percebe novo comportamento das crianças. "Hoje, você percebe cada vez mais as crianças optando pela água. Talvez seja influência de uma educação que vem sendo passada no âmbito escolar."
Um exemplo desse movimento é o estudante Thiago Lopes Carvalho, de 11 anos. O menino foge à regra quando o assunto é refrigerante. "Ele troca o refrigerante por água desde pequeno", contou a mãe Maryceli Terezinha Lopes, de 44.
Ela não sabe o que influenciou o filho, uma vez que ela costuma beber refrigerante com frequência. "Costumo beber nos fim de semana e quando saímos. Não é muitas vezes, mas troco a água pelo refri", comentou. Thiago, que pratica esporte com regularidade, acredita que seja por causa do esporte.
Mas o que chama a atenção da nutricionista em relação à pesquisa é o consumo dos chamados alimentos ultraprocessados. "A correria do dia a dia afastou a família da cozinha, que cada vez mais opta por alimentos prontos, mas é importante esse preparo do alimento", comentou Silvia.
Ela acredita em um futuro positivo para os brasileirinhos. "A mudança de hábito tem que começar em casa. Os pais precisam se conscientizar que são os responsáveis pela saúde desses filhos no futuro. Investir em alimentação saudável agora é um ganho em saúde e em longevidade", disse a nutricionista. (A.M.P.)





