Muçulmanos protestam contra guerra na Chechênia em São Paulo De NATALIE ANTAR
São Paulo, 17 (AE) - Sob muita tensão e nervosismo, um grupo de 70 muçulmanos realizou na manhã de hoje (17) um protesto em frente ao Consulado da Rússia em São Paulo.
Com faixas, cartazes e um alto-falante, os manifestantes pediram a paz na Chechênia. "Queremos que o exército da Rússia pare de bombardear civis na Chechênia", disse o presidente da Sociedade Beneficente Mulçumana de São Paulo, Ali Yassin. "Muitos irmãos, entre eles mulheres, crianças e idosos, estão morrendo com os ataques."
O grupo reuniu-se às 10 horas na Assembléia Legislativa. Uma hora depois, os manifestantes caminharam até o consulado gritando frases como: "Russos assassinos" e "Yeltsin é um bêbado". O trânsito na região ficou complicado. Homens da Companhia de Engenharia de Trafego (CET) acompanharam o protesto.
"Queremos entregar um manisfesto para o Cônsul da Rússia para ser entregue às autoridades de seu país", disse o vereador Mohamad Mourad (PL). "Também vou entregar uma cópia desse documento para a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal."
Ao chegaram ao consulado, os manifestantes foram recebidos pelo cônsul Anatoly Sharapanijuk. Sozinho, no jardim do local, o cônsul foi cercado pelos manifestantes que falaram ao mesmo tempo e exigiam o fim dos bombardeios. "Parem de matar os nossos irmãos mulçumanos", gritavam os manifestantes. A Polícia Militar foi chamada para evitar qualquer tumulto.
Mesmo com a chegada dos PMs, alguns manifestantes mais exaltados gritavam e apontavam o dedo para o cônsul pedindo uma solução para a guerra. O cônsul quase não conseguia falar na confusão.
Por volta da meio-dia, Sharapanijuk recebeu uma comissão em uma sala. Na parede estava a foto de Yeltsin sorrindo. O grupo queria entregar um manifesto para ser encaminhado ao governo da Rússia. O cônsul não aceitou o manifesto que falava que a Chechênia era independente da Rússia. Mas afirmou que também está sofrendo com a guerra assim como todos os russos. "Vou encaminhar ao meu país o desejo de paz, mas não vou aceitar esse documento por não concordar com o que está escrito."





