.
. | Foto: Gina Mardones

Quem passou pela sunita Mesquita Rei Faiçal, zona leste de Londrina, na manhã desta terça-feira (4), presenciou uma experiência multicultural: Senegal, Moçambique, Arábia Saudita, Líbano, Brasil. Ansiosos para a lua nova que anuncia o fim do Ramadã, cerca de 200 muçulmanos se reuniram para celebrar o desjejum com um grande café da manhã.

Duas grandes mesas com salgados, bolos, chocolates, café e chá estavam à disposição dos fiéis. Em Londrina, o fim do Ramadã foi marcado por uma celebração religiosa com orações, distribuição do dízimo dos jejuantes aos pobres e festa com comida para homens, mulheres e crianças, que se divertiam no pátio da Mesquita com um tobogã inflável. O Eid al-Fitr, como é chamada a celebração do desjejum, teve início às 8h, com orações em árabe.

“Hoje é dia de orgulho, de celebrarmos a nossa alegria”, ministrou em português o sheik Jeque Ahmad Saleh Mahairi, 78. Entre túnicas, icharbs (lenço), véus, e taqiyahs (chapéu), agregavam-se nacionalidades em prol de uma mesma comemoração religiosa que abrange todo o globo. Mahairi explica que a fé islâmica é feita de memórias, de feitos dos profetas, e um trabalho importante é ensinar aos mais novos sobre os motivos da festa e da importância da celebração para lembrar tais momentos.

.
. | Foto: Gina Mardones

Senegalense, Pedro Benge, 28, veio a Londrina para trabalhar. Mas, onde quer que vá, leva com sua fé, enraizada na família, que também celebra o fim do mês sagrado no outro continente. Com seus amigos africanos, exibiam vestimentas características do Islã para a celebração: compridas túnicas em verde, laranja e branco com adornos, como colares. “Não queria que o Ramadã terminasse. É muito bom, um momento de compaixão pelos outros”, conta.

.
. | Foto: Gina Mardones

No Eid al-Fitr, é proibido jejuar. Hussein Hussan, 22, é de Arapongas. Ele frequenta desde os 14 anos a mesquita londrinense. “Toda sexta-feira venho à Mesquita. Hoje é um dia de celebração”, explica. As mulheres acompanharam a celebração de desjejum em uma parte separada dos homens.

Com uma túnica rosa e véu, Soraya Orra conversava com outras mulheres. Ela, que é de Moçambique, é casada com Anis Mohamad Orra, 32, sheik da Rei Faiçal, de origem libanesa. Os paquistaneses Mohammed Soleman e Mohammed Samir vieram de Jaguapitã (53km de Londrina) para a celebração. Chegaram ao Paraná há seis anos para atuar em uma empresa de produção de frango halal, que é abatido segundo o preceito Islã.

.
. | Foto: Gina Mardones

O Ramadã é o nono mês do calendário lunar, que é seguido por quem professa o Islã, distinto do gregoriano, e depende do início do ciclo da lua crescente. Neste ano, o Ramadã começou no início da noite do dia 5 de maio no Brasil. Mas, o período impacta 1 bilhão de muçulmanos pelo mundo de maneira diferente, já que o tempo de jejum depende do horário do crepúsculo. Em 2017, os brasileiros jejuaram em média 13 horas por dia, enquanto, na África, a abstinência variava em torno de 11 horas.

Imagem ilustrativa da imagem Muçulmanos celebram fim do Ramadã em Londrina
| Foto: Gina Mardones

O ritual é obrigatório para os muçulmanos que atingem a puberdade – salvo em caso de doenças e mulheres que estão grávidas, menstruadas ou amamentando. Pela fé muçulmana, o Ramadã celebra o momento em que o arcanjo Gabriel apresentou o Corão para o profeta Maomé. Durante o mês sagrado, é proibido comer, beber água ou praticar relações sexuais da alvorada até o pôr do sol. O jejum (Sawn) é um dos cinco pilares do Islamismo, que incluem a declaração de fé (Shahadah), as orações diárias (Salat), as doações (Zakat) e a peregrinação a Meca pelo menos uma vez na vida (Hajj). As rezas, cinco por dia, são feitas com os joelhos e o rosto no chão para relembrar os preceitos do Corão: do pó viemos, ao pó, voltaremos.

mockup