Muçulmanas contestam interpretação do Islã
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de janeiro de 2002
Agência IPS 
A invocação do Islã para discriminar as mulheres indonésias está em debate, depois da publicação de um livro de dez ativistas e acadêmicos, entre eles a esposa do líder religioso e ex-presidente Abdurrahman Wahid. Sinta Nuriyah Wahid disse certa vez que os muçulmanos do país reconheciam às mulheres casadas direitos e responsabilidades menores do que os de pessoas nas piores condições imagináveis de escravidão.
O livro desafia a interpretação do Islã, em relação à condição das esposas, que predomina por mais de um século na Indonésia. Tal interpretação baseia-se em um capítulo dos chamados Kitab Kuning (Livros Amarelos, porque seus originais foram escritos em papel dessa cor), empregados como base dos ensinamentos islâmicos sobre todos os aspectos da vida. Esse capítulo, intitulado Contrato de Casais, foi escrito pelo imã Na-Nawamy (1813-1893) e tem por base tradições sobre relatos e obras de Maomé, os integrantes do Foro de Estudos dos Livros Amarelos sustentam que a interpretação de Nawamy está incorreta.
O Foro publicou, em novembro, o livro Wajah Baru Relasi Suami- Istri (O Novo Rosto das Relações entre Marido e Mulher), baseado em quase quatro anos de trabalho. Entre as teses de Nawamy que são rechaçadas estão as de que as mulheres não têm direito de pedir o divórcio, nem de se recusar a manter relações sexuais quando seus maridos pedem.


