Curitiba- Cerca de 150 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) voltaram a ocupar ontem parte da Fazenda São Francisco, localizada na região de Ponta Grossa. Os militantes haviam sido retirados pela Polícia Militar no início do mês, após decisão judicial. Eles retornaram ontem, por volta das cinco horas.
Os militantes do MST ocuparam parte da área pela primeira vez em 2005. A decisão judicial que gerou a retirada das famílias no começo deste mês atendeu pedido de reintegração de posse feito pelo tenente-coronel Valdir Copetti Neves. O MST alega que a fazenda pertence à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
''Essa área estava cedida em comodato ao Iapar (Instituto Agronômico do Paraná), mas não estava sendo usada. Grileiros se aproveitaram da situação. O Copetti Neves entrou com ação de usucapião, mas perdeu em primeira instância. Queremos que a fazenda seja destinada para reforma agrária'', disse Arílson de Assis, militante do MST.
O advogado de Copetti Neves, Carlos Eduardo Biazetto, informou que entre o final da tarde de ontem e hoje reiteraria o pedido de reintegração de posse. Ele afirmou que a solicitação não está relacionada à ação de usucapião. Segundo o advogado, o militar tem propriedade de parte da área e posse sobre o restante.
''Ele utiliza a área há mais de 10 anos. Inclusive havia feito vários investimentos na fazenda recentemente. Nessa nova ocupação, o MST destruiu tudo. Foram mais de R$ 60 mil de prejuízo'', disse Biazetto.
A respeito da ação de usucapião relacionada a parte da fazenda, o advogado mencionou que o processo está tramitando no Tribunal Regional Federal da 4 Região, em Porto Alegre. ''Juntamos documentos que mostram que a área não pertence à Embrapa'', afirmou Biazetto.

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