Curitiba - Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam ontem a Fazenda Capão Cipó, localizada a sete quilômetros de Castro (Campos Gerais), no Paraná. A área, de 300 hectares, é utilizada há mais de 30 anos pela Fundação ABC, que realiza projetos de pesquisa agropecuária para as cooperativas Capal (Arapoti), Batavo e Castrolanda. Segundo a coordenação do MST, porém, a União é a proprietária das terras e, desde 30 de abril de 2014, aguarda a reintegração de posse.
A administração da presidente Dilma Rousseff (PT) teria pedido, por meio de liminar, que o instituto deixasse o local, uma vez que o período de comodato já foi encerrado. "Chamamos a atenção desse governo que faz parcerias com a iniciativa privada e não avança na reforma agrária", afirmou o MST, em nota. A entidade se mostrou disposta a contribuir para dar continuidade ao desenvolvimento de pesquisas agrárias, desde que elas sejam focadas na agroecologia. Além de Castro, as 150 famílias que estão na região são originárias da Lapa, de Teixeira Soares, Ipiranga e Ponta Grossa.
A Fundação ABC argumentou, também por meio de nota, que muito das grandes conquistas de produtividade obtidas no Estado se devem às ações realizadas por ela no local, em conjunto com organizações públicas e federais. "Há trabalhos de pesquisa com mais de 30 anos, que trazem importantes informações aos nossos pesquisadores, assim como outros de média e curta duração", diz trecho. "Quando a Fundação ABC foi notificada pela Justiça Federal a devolver a área, no ano passado, imediatamente entrou em contato com o MAPA (Ministério da Agricultura), na tentativa de manter o convênio junto à instituição".
Ainda conforme a fundação, em outra parte da área funciona o Centro de Treinamento de Pecuaristas (CTP), onde pessoas do setor recebem treinamento para desenvolver a atividade em suas propriedades. "Diante da situação ocorrida neste dia, a Fundação ABC vai continuar o diálogo com o MAPA, a fim de conseguir retornar aos trabalhos de pesquisa que estão em andamento naquela fazenda".

Londrina
Na semana passada, 1,3 mil famílias ligadas ao MST montaram acampamento na Fazenda Figueira, de 3,7 mil hectares, no distrito de Paiquerê, zona rural de Londrina. Apesar da reintegração de posse, concedida pela 1ª Vara Cível, a pedido da Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq), que realiza pesquisas na propriedade, elas decidiram permanecer ali até o cadastramento dos ocupantes e a realização de uma vistoria por parte do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A dúvida a ser esclarecida é se a terra é produtiva.
Os sem-terra garantem que são a favor tanto das pesquisas como do desenvolvimento do conhecimento científico e da preservação dos recursos naturais, pois "o saber popular é um dos princípios das ações do MST". Dizem, ainda, esperar uma saída concreta e pacífica para o assentamento. No Paraná, nove mil famílias aguardam uma resolução para o problema da terra, sendo 1,2 mil em Londrina.

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