MST volta a invadir áreas no Noroeste
Marcos Zanatta
De Maringá
Famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), na região de Paranavaí, reocuparam anteontem a Fazenda Arapongas, no município de Mirador. A propriedade foi invadida pela primeira vez em janeiro deste ano e teve a reintegração de posse cumprida pela polícia em maio. Ontem, o coordenador geral da União Democrática Ruralista (UDR) no Paraná, Tarcísio Barbosa de Souza, disse que já havia alertado sobre a volta das invasões há duas semanas. Convocamos o Incra e o governo do Estado para mostrar a situação, mas ninguém apareceu na reunião agendada, lamenta.
A onda de reocupações, segundo Souza, começou no último sábado pela manhã. Um grupo de aproximadamente 30 famílias do Movimento Renascer, formado por sem-terra do município de Mirador, tentou reocupar a Fazenda Rancho Alegre. A propriedade tem 217 alqueires e foi invadida pela primeira vez no dia 11 de maio. A polícia conseguiu cumprir a reintegração de posse dez dias depois. Os sem-terra do Renascer foram impedidos de entrar na área por arrendatários e vizinhos. O pessoal está em vigília permanente, mas o clima é tenso, disse Souza. Os sem-terra do Renascer estão acampados na entrada da propriedade.
Na Fazenda Arapongas o proprietário, Alcides Degraf, não conseguiu impedir a reocupação. Cerca de 90 sem-terra chegaram na propriedade no início da manhã de domingo. A UDR afirma que a invasão foi comandada pelos coordenadores do MST na região, José Aparecido Rodrigues dos Santos, conhecido como Negão, Giovani Braum, Pedro Alves Cabral, Ari Moraes Cruz, Márcio Cruz, Valdir Habold, José Devanir Matias e Darci Kurt. As famílias saíram de caminhão do MST da Fazenda Rio Novo área também reocupada em Querência do Norte com destino a Mirador, conta Souza.
Depois da invasão, os sem-terra seguraram alguns funcionários na fazenda até o final da tarde, para os proprietários não serem avisados. Ontem, Degraf ainda não tinha apresentado queixa da invasão na delegacia de Mirador. A UDR informou que ainda no domingo os sem-terra mataram três cabeças de gado da fazenda. Souza disse que o MST está deslocando famílias de outras regiões, que ficam nas áreas ocupadas de prontidão para voltar às fazendas desocupadas em maio passado. Não vamos fazer nada a não ser esperar uma ação do governo, disse. Além da Rio Novo e da Arapongas, reocupadas pelos sem-terra, outras seis propriedades tiveram o mandado de reintegração de posse cumpridos.





