MST vai recorrer contra liminar que determinou despejo de sem-terra da Fazenda Chimbó
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segunda-feira, 03 de janeiro de 2000
Por José ¶ngelo Santilli, especial para a AE 
Araraquara, SP, 03 (AE) - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) pretende recorrer contra a liminar concedida pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) que determina a desocupação da Fazenda Chimbó, em Matão, no interior do Estado. "Vamos ingressar ainda hoje com um recurso no TJ", afirmou Gilmar Mauro, líder do movimento. Após tomar ciência da decisão do TJ, no dia 30, a juíza Sílvia Elena Gigena de Siqueira, da 1ª Vara de Matão, que havia negado a liminar em primeira instância, reuniu-se com os líderes dos sem-terra e estipulou um prazo de 20 dias para que eles deixem a área. Em seu despacho, a juíza justifica a necessidade desse prazo por causa do grande número de pessoas no acampamento, incluindo crianças.
A liminar foi concedida ao Grupo Corona, que administra a Usina Bonfim, arrendatária da Fazenda Chimbó, localizada à margem do quilômetro 315 da rodovia Washington Luiz. A área está ocupada desde 18 de dezembro. Na última semana aumentou bastante o número de sem-terra no acampamento, passando de 600 para mais de mil famílias, de acordo com o líder Gilmar Mauro. "Cadastramos cerca de 3 mil famílias na região. Com a crise na citricultura e com o fim da safra de cana-de-açúcar, o desemprego tende a aumentar no campo", avalia.
Além de contestar a liminar judicialmente, o MST pretende recorrer ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e ao Ministério de Política Fundiária para pedir a interferência do órgão no sentido de "tornar efetivo o compromisso assumido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso de desapropriar terras de grandes devedores do INSS e do Banco do Brasil para fins de reforma agrária", disse o líder sem-terra. Segundo informações extra-oficiais do MST, os arrendatários da Chimbó teriam uma dívida de cerca de R$ 100 milhões junto ao INSS.


