MST vai poupar Lula em protestos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 05 de abril de 2004
Agência Estado 
Presidente Prudente, SP- As lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no Pontal do Paranapanema, extremo oeste de São Paulo, vão poupar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos atos de protestos que realizam hoje, em Presidente Prudente. O principal alvo das manifestações será o governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), que, segundo eles, pretende ''fechar a porteira'' da região para os sem-terra.
Cerca de 1.700 militantes, divididos em dois grupos, acamparam ontem nas imediações da cidade, após cinco dias de marcha em estradas do Pontal. As colunas se juntam pela manhã e seguem em passeata até a praça central para um ato público. A Polícia Militar anunciou um reforço no policiamento. Segundo o coordenador regional Paulo Costa Albuquerque, integrante da direção estadual do movimento, o governo Lula será cobrado, mas de forma ''positiva'', pois é um aliado histórico da reforma agrária.
Segundo ele, embora ainda faltem mecanismos práticos para acelerar o processo, o governo Lula tem demonstrado seu compromisso com os sem-terra, o que não ocorre com Alckmin.
Para o coordenador do MST, a lei do governador que legitima as áreas com até 500 hectares abre um precedente para a regularização das áreas maiores. ''O governo está estimulando o agronegócio da soja na região, uma cultura que não gera empregos e nada oferece do ponto de vista social.'' De acordo com o líder, o Pontal é uma região de terras devolutas, onde o governo do Estado, em parceria com a União, poderia assentar 40 mil famílias. ''Mas o que faz é entregar as terras para os latifundiários. A prova do desinteresse do Estado é que nos últimos três anos não houve assentamentos na região.''
Segundo ele, os R$ 36 milhões que o governo federal repassou no ano passado para a reforma agrária em São Paulo foram devolvidos por falta de uso. O MST vai protocolar no Ministério Público de Presidente Prudente um pedido verificação da constitucionalidade da lei que legitima as áreas no Pontal. ''Ao nosso ver, ela fere a Constituição'', disse o líder. Ele não descartou outras ações de protesto, inclusive a entrada nas fazendas. ''A ocupação é uma ação pacífica de denúncia do latifúndio.''
O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, disse que a invasão é crime. Segundo ele, a manifestação ocorre no lugar errado.''Eles deveriam protestar em Brasília, pois quem está inerte é o governo federal.''


