Brasília, 22 (AE) - Os movimentos sociais vão pedir esta semana a anulação do julgamento que terminou na última quinta-feira e absolveu os três oficiais militares envolvidos na morte de 19 sem-terra no sul do Pará, em 1996. A denúncia da vice-prefeita de Belém, Ana Júlia (PT), sobre pagamento de suborno a jurados, publicada na revista Época, causou revolta entre os representantes dos principais movimentos sociais do País. O ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, disse que é necessário investigar a fundo a denúncia.
Um dos coordenadores nacionais do Movimento dos Sem-Terra (MST), Gilberto Portes, disse que a denúncia de que o jurado Sílvio Queiroz Mendonça teria oferecido R$ 3 mil a outro jurado para votar contra a condenação dos militares é "uma situação muito grave". Portes disse que os advogados do MST no Pará deverão apresentar amanhã (23) a anulação do julgamento. "Esta denúncia vai fortalecer nosso pedido de anulação do julgamento", disse.
A aval‹ação do MST é que o suposto pagamento de suborno a jurados compromete a legitimidade de toda a Justiça do Pará. Portes defendeu investigação sobre o assunto e punição de quaisquer jurados que tenham recebido dinheiro para votar em favor dos militares. "Se não condenar todo mundo", disse Portes, "a Justiça brasileira vai perder a credibilidade".
Contag - O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Manoel José dos Santos, disse que é uma "grande imoralidade" o que aconteceu em Belém. "Está se descobrindo a verdade do que aconteceu em Belém", disse Santos.
Antes mesmo de ter conhecimento da denúncia de que jurados teriam recebido dinheiro para votar em favor dos oficiais da Polícia Militar do Pará, a Contag apresentou na quinta-feira pedido de anulação do julgamento no Ministério da Justiça.
Manoel disse que não vê a possibilidade de realização de um julgamento imparcial dentro do Pará. "O que está acontecendo no Pará é uma grande imoralidade e todo mundo está vendo isto".
Investigação - O ministro Jungmann disse que é necessário investigar a fundo as denúncias feitas pela vice-prefeita de Belém, Ana Júlia. "A vice-prefeita está com a chave de tudo nas mãos", dise Jungmann, "e se tudo for comprovado ficará caracterizado sério vício".
O ministro afirmou que é necessário apurar todas as responsabilidades sobre quem teria oferecido e quem teria recebido suborno. "Espero que isto aconteça", disse, "para que seja feita Justiça".

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