Agência Estado
De Brasília
Os movimentos sociais vão pedir esta semana a anulação do julgamento que terminou na última quinta-feira e absolveu os três oficiais militares envolvidos na morte de 19 sem-terra, em 1996. A denúncia da vice-prefeita de Belém, Ana Júlia (PT), sobre pagamento de suborno a jurados, publicada na revista ‘‘Época’’, causou revolta entre os representantes dos principais movimentos sociais do País. O ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, disse que é necessário investigar a fundo a denúncia.
Um dos coordenadores nacionais do MST, Gilberto Portes, disse que a denúncia de que o jurado Sílvio Queiroz Mendonça teria oferecido R$ 3 mil a outro jurado para votar contra a condenação dos militares é ‘‘uma situação muito grave’’. Portes disse que os advogados do MST no Pará deverão apresentar hoje pedido de anulação do julgamento.
A avaliação do MST é que o suposto pagamento de suborno a jurados compromete a legitimidade de toda a Justiça do Pará. Portes defendeu investigação sobre o assunto e punição de quaisquer jurados que tenham recebido dinheiro para votar em favor dos militares.
O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Manoel José dos Santos, disse que é uma ‘‘grande imoralidade’’ o que aconteceu.
Antes mesmo de ter conhecimento da denúncia de que jurados teriam recebido dinheiro para votar em favor dos oficiais da Polícia Militar do Pará, a Contag apresentou na quinta-feira pedido de anulação do julgamento no Ministério da Justiça.
O ministro Jungmann disse que é necessário investigar a fundo as denúncias feitas pela vice-prefeita de Belém, Ana Júlia. ‘‘A vice-prefeita está com a chave de tudo nas mãos’’, disse Jungmann, ‘‘e se tudo for comprovado ficará caracterizado sério vício’’.

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