MST vai manter ocupações nos estados
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sexta-feira, 13 de junho de 1997
Agência Estado Teodoro Sampaio e Goiania 
Arquivo FolhaVer para crerJosé Rainha Junior (ao fundo) colocou em dúvida a capacidade do governo em cumprir as medidas do pacote agrário O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Pontal do Paranapanema, José Rainha Junior, colocou em dúvida, ontem, a capacidade do governo em cumprir as medidas anunciadas anteontem que visam acelerar o processo de reforma agrária.
A que estabelece prazo de 120 dias para que o Incra realize a vistoria das fazendas indicadas é, em sua opinião, a mais difícil de ser executada: No Pontal, há mais de um ano indicamos as fazendas Inhancá, Santa Rita, São Sebastião e Santa Clara, todas em Mirante do Paranapanema, mas até agora nada foi feito, afirmou.
O líder lembrou que apesar das medidas o MST não pretende desistir da invasão de terras em sua atuação em favor da reforma agrária: A ocupação é um instrumento de luta; toda vez que uma área é ocupada o Incra faz a desapropriação, disse. Ele destacou porém que nem sempre é necessário promover invasões: podemos montar acampamentos nos limites das fazendas e esta pressão tem o mesmo efeito, lembrou.
Para José Rainha, o pacote de medidas anunciado pelo governo, foi adotado com o objetivo de moralizar o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - Incra. Segundo ele, as medidas, mesmo a que proibe vistoria em terras invadidas, não afetam o MST: se o governo se antecipar e fizer as vistorias é melhor, disse.
Os líderes dos sem-terra estão dispostos a enfrentar a polícia, o governo e a Justiça para derrubar os efeitos do pacote agrário: o governo do Fernando Henrique perdeu uma oportunidade para se calar e não fazer besteiras, afirmou ontem Gilberto Portes, um dos líderes nacionais do MST. Invadir áreas é o feijão com arroz dos sem-terra e não há como impedir as ocupações, disse ele em Goiânia.
Aparecido Ramos, líder das 500 famílias de sem-terra que ocupam a Fazenda Santa Rosa, em Itaberaí (GO), criticou a decisão do governo. Tem uma postura definida e uma ordem a ser executada: nenhuma família sai da área onde estiver e nenhuma área deixará de ser invadida por conta dos decretos do governo, disse ele.
Funcionários do Incra, em Goiás, comentaram que na prática o governo não terá os resultados pretendidos no papel. Até compararam o decreto presidencial a uma bomba de efeito moral: faz muita fumaça e assusta quando é lançada, disseram. Mas, depois, se percebe que era só fumaça.
As famílias que ocupam a Fazenda Santa Rosa, resistem a uma ordem de despejo mas temem um confronto com 700 PMs designados para desocupar a área. Durante quatro horas, ontem, negociaram uma desocupação pacífica em troca de R$ 100 mil para compra de alimentos, durante 90 dias, enquanto o Incra localiza outra área para assentá-los. Participaram e concordaram com os resultados da reunião o governo estadual, o Incra, promotores públicos, políticos e a Igreja católica.
O juiz Renan de Arimatéia, porém, considerou a negociação uma protelação à sua ordem de despejo. Por isso, garantiu que, na segunda-feira às 9 horas mandará um oficial de Justiça e força policial para reintegrar a fazenda ao seu proprietário. Este acordo beneficiou os sem-terra, atendeu a interesses diversos mas arranhou a Justiça, afirmou o juiz.


