Curitiba, 24 (AE) - Representantes da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) do Paraná estarão amanhã (25) em Brasília para denunciar ao Ministério da Justiça "a continuidade da onda de violência" contra os sem-terra no Estado. Em um mês foram presos 41 sem-terra, que estavam em 14 fazendas desocupadas pela Polícia Militar, em cumprimento de ordens judiciais. Os sem-terra são acusados de formação de quadrilha, porte ilegal de armas ou resistência a cumprimento de ordem judicial.
De acordo com os sem-terra, depois da reunião com o ministro Renan Calheiros, há cerca de um mês, "as coisas só pioraram" no Estado. "Foi um mês de ilegalidade", disse o coordenador do MST, Roberto Baggio. "Foram feitos despejos na madrugada, pessoas foram presas e feridas, barracos e pertences queimados", afirmou.
O advogado da CPT, Darci Frigo disse que irá "cobrar do ministro as providências que foram adotadas". Os sem-terra dizem que houve violência nas desocupações. Hoje eles esperavam a chegada a Curitiba do sem-terra Geraldo José dos Santos, de 84 anos. Ele escreveu uma carta à liderança do movimento afirmando que levou vários chutes.
De acordo com o MST, ele estaria com uma costela quebrada e urinando sangue. Santos era acampado da Fazenda Monte Castelo, em Querência do Norte, desocupada na sexta-feira, conforme determinação judicial. Santos estava internado no hospital de Monte Castelo.
O governo do Estado nega que tenha havido violência em qualquer uma das desocupações feitas nos últimos dias. De acordo com o assessor da Secretaria de Segurança Pública, Valdir Bicudo
apenas Antonio Carlos Canassa e José Santeiro foram feridos levemente por estilhaços de uma bomba de efeito moral na Fazenda Monte Castelo. "Foi jogada a bomba de efeito moral, porque ele (Canassa) veio de arma em punho", justificou. "Se houvesse violência, a polícia podia até ter atirado, mas não é essa a orientação da secretaria e do governo do Estado."
Os sem-terra também afirmam que as prisões são ilegais, pois não haveria mandado judicial. "Os policiais vão com uma lista procurando pelas pessoas", disse Roberto Baggio. A secretaria nega a existência de qualquer lista de pessoas marcadas para serem presas.
Habeas-corpus - A CPT deve entrar com um pedido de habeas-corpus no Superior Tribunal de Justiça para sete presos e para outros sete líderes que estão com prisão decretada.
Darci Frigo disse que vai apresentar aos parlamentares da CPI do Judiciário uma denúncia contra a juíza de Loanda, Elizabeth Khater. Segundo ele, a juíza tem tido uma posição contrária à legalidade. Entre os casos, ele cita que, no dia 3 de fevereiro, ela recebeu um processo de mais de 80 páginas às 10h40 e cinco minutos depois tinha despachado uma liminar de reintegração de posse de uma fazenda na região noroeste.
Por outro lado, ela teria recebido no dia 20 de abril um pedido de um dos advogados da CPT para busca e apreensão de armas na Fazenda Monte Azul, de onde teriam sido dado tiros contra o acampamento de sem-terra na Fazenda Rio Novo. A juíza teria respondido somente dez dias depois, negando o pedido.

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