MST troca
caminhão
por comida
Carreta retida por 6 horas transportava gado
Agência Folha
Dida Sampaio/Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)SequestroSem-terra desviam caminhão carregado de abóboras para acampamento em Ouricuri, no sertão pernambucanoHouve tumulto na
pista depois que
um policial sacou
seu revólver
Agricultores ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) retiveram ontem por cerca de seis horas um caminhão carregado com 28 cabeças de gado e só liberaram o veículo e a carga em troca de 2,5 toneladas de alimentos. Outro caminhão carregado com 15 toneladas de abóbora também foi retido pelos trabalhadores rurais e saqueado. Os dois veículos haviam sido desviados da BR-316, em Ouricuri, sertão de Pernambuco, e levados para o acampamento Jatobá.
Houve um princípio de tumulto entre policiais militares e sem-terra, no caminho para o acampamento. Os PMs conseguiram retirar as chaves de dois caminhões, na tentativa de impedir a ação. Os agricultores gritaram e exibiram foices e facões aos PMs. Os policiais responderam apontando suas armas. Os lavradores ameaçaram então incendiar um dos veículos. O clima de tensão só terminou quando a PM decidiu devolver as chaves do caminhão que carregava o gado.
A rodovia foi interditada às 6h50 por cerca de 50 sem-terra vindos de Jatobá e de outro acampamento, o Ponta da Serra, do município vizinho de Araripina. Armados com foices, facões e pedaços de pau, os agricultores bloquearam a estrada utilizando um caminhão fretado pelo MST por R$ 100. Cerca de 20 carretas foram paradas e inspecionadas. Seis carros particulares também foram detidos no bloqueio. Entre eles estava um que conduzia o soldado da PM Arielton Gomes, 26. O policial sacou seu revólver e houve tumulto na pista. Um grupo de 15 sem-terra cercou o veículo e ameaçou agredir o soldado. A arma de Gomes foi colocada no porta-luvas do carro, que permaneceu retido até o fim do saque.
A Polícia Rodoviária Federal, que mantém um posto a 12 quilômetros do local, chegou às 7h30, mas, com apenas dois homens, nada pôde fazer. Às 7h35, um carro com quatro policiais militares armados com metralhadoras, pistolas e fuzis também chegou ao local. Mesmo assim, os sem-terra mantiveram a ação.
Os caminhões carregados com 15 toneladas de abóbora e com 28 cabeças de gado foram desviados para o acampamento na presença da polícia, que foi impedida de entrar na fazenda invadida. A carreta com abóbora foi descarregada no acampamento e a outra, retida para ser trocada por alimento.
Os lavradores aceitaram receber, como medida de emergência, 120 cestas básicas, cada uma com cerca de 22 quilos de arroz, feijão, farinha, óleo, sal e açúcar. Os mantimentos foram entregues às 14 horas, sob nova ameaça dos acampados. Eles afirmaram que voltariam a saquear, caso não fossem incluídos na lista de trabalhadores selecionados para atuar nas frentes de emergência do governo.

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