Sandovalina, SP - Sem-terra ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) começaram ontem a transferir o acampamento do acostamento da rodovia de acesso a Sandovalina, no Pontal do Paranapanema, para outra área pública. Eles estavam no local desde 9 de junho e atendem liminar de reintegração de posse.
Cerca de 100 sem-terra invadiram, no começo da noite, um terreno da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), na periferia de Pirapozinho, a apenas 24 quilômetros de Presidente Prudente. Segundo o líder do grupo, Valmir Ulisses Sebastião, o terreno está abandonado desde a desativação de um ramal da Fepasa. Com a extinção desta empresa, o patrimônio foi incorporado pela RFFSA.
As famílias já começaram a montar os barracos. O MST pretende transferir para este local cerca de 200 das 450 famílias do acampamento de Sandovalina. As outras irão para outra área, em Sandovalina. O comboio de sem-terra chegou no novo acampamento escoltado por viaturas das polícias Rodoviária e Militar. Segundo Sebastião, outras famílias da cidade deverão se juntar aos sem-terra. ''Temos de 2 mil a 2.500 cadastros aqui''.
A desocupação do acampamento na beira da estrada foi iniciada um dia antes de vencer o prazo dado pelo juiz de Pirapozinho, Aristóteles de Alencar Sampaio. Ele atendeu a um pedido de reintegração de posse requerido pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER). A invasão das 460 famílias levou o prefeito Divaldo Pereira de Oliveira (PMDB) a decretar estado de emergência no município e paralisar por dois dias o atendimento nos órgãos municipais. O prefeito foi ameaçado de intervenção pelo Estado por ter parado serviços essenciais.
O início da retirada estava previsto para a manhã, mas atrasou por causa de um impasse entre o DER e o MST. Os líderes dos sem-terra Valmir Ulisses Sebastião, Paulo Costa Albuquerque e Wesley Mauch, e o diretor regional do DER, João Augusto Ribeiro, se reuniram com o comandante da PM capitão Renato Ryukiti no barraco de um sem-terra. O diretor do DER impôs como condição para o transporte que os sem-terra não fossem para o acostamento de rodovias ou áreas particulares.
''Também não posso levá-los para uma vicinal, pois iria transferir o problema para o município.'' Costa garantiu que não haveria invasão. ''Não queremos conflito, nem colocar as famílias em risco.''
Os caminhões prometidos pelo DER chegaram às 14h30. Parte dos barracos já tinha sido desmontada. Dona Benedita Cabral de Oliveira, de 61 anos, continuou a arrumar a cozinha enquanto o marido, Pedro Oliveira, 58, retirava a lona e a estrutura de madeira. Policiais militares e rodoviários acompanhavam o desmonte. A retirada dos barracos continua hoje. O MST garantiu que a área será limpa e recuperada, com o aterramento dos poços e fossas utilizados durante a permanência no local.

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