MST terá mais acampamentos no Pontal
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sexta-feira, 19 de setembro de 1997
Agência Estado Teodoro Sampaio 
Mário CesarReforçoRainha não deu detalhes dos objetivos do MST com o aumento do contingente de acampados no Pontal, nem fez previsões sobre o número de sem-terra que serão concentrados. Atualmente, segundo cálculos da Polícia Militar de Teodoro Sampaio, há 122 barracos instalados no localO líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), José Rainha Junior, confirmou ontem a estratégia de aumentar o número de trabalhadores nos acampamentos do Pontal do Paranapanema. O MST pretende mobilizar cerca de 60 mil desempregados que vivem na periferia de 21 municípios da região. Segundo Rainha, além dos oito acampamentos já existentes outros deverão surgir para continuar a luta pela reforma agrária na região.
Rainha não deu detalhes dos objetivos do MST com o aumento do contingente de acampados no Pontal nem fez previsões sobre o número de sem-terra que serão concentrados. Disse apenas que o trabalho começou pelo acampamento Santa Rita, onde nos próximos dias haverá mais de mil pessoas. Atualmente, segundo cálculos da Polícia Militar de Teodoro Sampaio, há 122 barracos instalados no local. Há três semanas eram 70.
O líder lembrou que o desemprego atinge todos os municípios do Pontal. Só em Presidente Prudente são 25 mil desempregados e nas 20 cidades restantes a média é de 1.500 em cada uma. Em Teodoro Sampaio a Igreja Católica e a Prefeitura distribuem mensalmente 1.200 cestas básicas para pessoas que perderam o emprego com o fim das obras das usinas hidrelétricas e com a redução das áreas de plantio de milho e algodão.
O desespero destas famílias, segundo Rainha, favorece a ação do MST. No Pontal existe mais de um milhão de hectares de terras devolutas e outros 500 mil hectares de áreas improdutivas, passíveis de serem transformadas em projetos de assentamentos, disse. O MST está preparado para continuar lutando pela reforma agrária: Dividimos o Pontal em três microrregiões e estamos em condição de organizar os trabalhadores em todas elas.
Tiros Os sem-terra do acampamento Água Branca acusaram ontem os seguranças da fazenda Santa Tereza, em Euclides da Cunha, Pontal do Paranapanema, de fazer mais de 15 disparos contra os barracos durante a madrugada. Para os trabalhadores, ligados ao MST, foi uma tentativa de intimidar as famílias que vivem no local, próximo à fazenda. O fazendeiro Hérclito Macedo, dono da área, negou o ataque, mas admitiu que ontem à tarde os acampados deram um tiro para o alto e um segurança fez outro disparo.
De acordo com o coordenador do acampamento, Paulo César da Silva, que registrou queixa na delegacia de polícia de Euclides da Cunha, os cerca de 15 seguranças, que estão na fazenda fizeram os disparos durante toda a noite. As balas, disse, chegaram a perfurar as lonas de alguns barracos. Ontem, durante o dia, novos disparos foram ouvidos, aumentando o clima de tensão existente na área.


