Da Redação
Movimento faz acordo com superintendência do Incra e retira manifestantes das agências do Banco do Brasil; Pronaf será discutido hoje em Brasília
Um acordo entre lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e superintendência regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) suspendeu as ocupações de agências do Banco do Brasil no Paraná. A maioria das 17 agências do banco que estavam ocupadas desde a semana passada começaram a ser liberadas ontem à tarde.
Os sem-terra exigem a liberação imediata de R$ 28 milhões do Programa Nacional de Apoio à Agricultura Familiar (Pronaf) para custeio da safra de verão de 14 mil famílias assentadas no Paraná. Por isso haviam ocupado as agências bancárias. ‘‘Não queremos prejudicar os clientes do banco e como essa forma de pressão é insuficiente para o governo liberar os recursos, decidimos adotar medidas mais radicais de pressão’’, afirmou ontem um dos coordenadores do MST no Paraná, Ireno Prochnov. Ele não adiantou quais serão as novas formas de manifestação.
Hoje, Prochnov e técnicos do Incra no Paraná participam de uma reunião com a comissão do Pronaf, em Brasília. A comissão é formada por representantes do Incra, Banco do Brasil e Ministério da Política Fundiária. ‘‘Vou mostrar à comissão que as novas regras do Pronaf prejudicam o Paraná e que mais de 90% dos assentados no Estado foram excluídos do crédito’’, disse. ‘‘Essa será a última audiência que teremos com o governo sobre crédito. Como não acredito que o banco vai resolver o problema, nossas regionais estão discutindo formas mais radicais de manifestação’’. Segundo Prochnov, os sem-terra não devem voltar mais a ocupar agências bancárias no Estado. Sem os recursos do Pronaf, eles não têm como fazer o plantio de verão.
Em Terra Rica (57 quilômetros a noroeste de Paranavaí) os sem-terra e assentados que ocupavam desde a semana passada o pátio externo da agência do Banco do Brasil, concordaram em liberar o banco, após negociação com a Associação Comercial e Industrial de Terra Rica (Acitr), Prefeitura e o BB, que se comprometeram a cobrar uma posição do Incra e do Banco Central sobre a liberação de verbas. ‘‘Temos um prazo até a próxima sexta-feira para dar uma resposta. Caso contrário eles prometeram voltar’’, disse o presidente da Acitr, Márcio Bortoli.
Segundo Márcio Bortoli, presidente da Acitr, a agência ficou sem atividades por oito dias, e prejudicava todos os clientes. Cerca de 100 integrantes do MST acamparam no pátio da agência desde quarta-feira da semana passada. ‘‘Não temos como sair da cidade para ir à agência mais próxima’’, alega Bortoli.
As demais agências ocupadas na semana passada na região – Querência do Norte, Paranacity e Colorado – estão atendendo normalmente esta semana.

Em Cascavel, os assentados passaram quase o dia todo nas barracas que montaram no Calçadão. Sem outra atividade, homens e mulheres fizeram uma faxina geral na área, recolhendo lixo espalhado pelo vento e folhas de árvores – eles têm uma ‘‘brigada de limpeza’’ permanente. Donos de lojas próximas reclamam que o movimento diminuiu. Uma lojista chegou a reclamar do ‘‘mau cheiro’’ dos assentados, que não têm local para tomar banho. Eles usam água e vaso sanitário cedidos por um quiosque do Calçadão, único estabelecimento que lhes presta apoio. (Emerson Cervi, Marcos Zanatta e Paulo Pegoraro)

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