MST solta refém do Incra no Pará
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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2000
Por Carlos Mendes 
Belém, 19 (AE)- A chefe do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Tucuruí, no sudeste do Pará, Graça Frazão, que era mantida como refém por 400 agricultores dos assentamentos Tuerê I e II ligados ao MST, foi libertada na madrugada de hoje. A sede do Incra também foi desocupada. "Graças a Deus que isso acabou", disse ela referindo-se aos dois dias em que foi impedida de sair do prédio.
Frazão é uma mulher de saúde frágil e que precisa tomar medicamentos todos os dias. Isso foi o que mais pesou a seu favor nas negociações. A Comissão Pastoral da Terra (CPT), o promotor de Justiça de Tucuruí, Mauro Mendes, além do senador Ademir Andrade (PSB-PA) haviam tentado, sem sucesso, soltar a refém, mas esbarraram na intransigência dos líderes do movimento.
Somente depois de a diretora de Conflitos Fundiários do Incra em Brasília, Maria Oliveira, afirmar que o órgão não negociaria enquanto Frazão estivesse nas mãos dos manifestantes foi que eles decidiram soltá-la. Em troca, o Incra começou a negociar com os agricultores a liberação de créditos para recuperar estradas, construir escolas e postos de saúde.
Das 2.200 famílias que vivem nos dois assentamentos, apenas um quarto havia recebido crédito. Quem recebeu deverá prestar contas ao Incra para que o restante dos recursos seja liberado às famílias ainda não contempladas.


