Maurício Borges
Enviado a Ivaiporã
Os sem-terra, que ocupam desde abril de 97 a fazenda ‘‘7 Mil’’, soltaram ontem, às 16 horas, mais um lote de cerca de 300 cabeças de gado, na BR-466, junto do Parque de Exposições da Sociedade Rural Centro-Norte do Paraná, em Ivaiporã (150 km ao sul de Apucarana). Ao mesmo tempo, a coordenação do acampamento, que reúne 650 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), anunciou que se nos próximos dias o restante do rebanho, estimado em 3 mil cabeças, não for retirado da fazenda pelo proprietário, será solto dentro da cidade de Ivaiporã.
Há 40 dias os sem-terra levaram da sede da 7 Mil até a BR-466, entre Ivaiporã e Manoel Ribas, uma boiada composta de aproximadamente 600 animais. O gado, a exemplo do que ocorreu ontem, ficou recolhido nos fundos do parque de exposições de Ivaiporã, sendo depois levado para outras pastagens pelo agropecuarista Flávio Pinho de Almeida.
Para evitar acidentes com os veículos em trânsito, policiais militares e rodoviários bloquearam parcialmente a rodovia por uma hora. No trajeto, de cerca de 35 quilômetros, alguns animais caíram pelo caminho, deixando evidente que o rebanho está bastante debilitado, sem trato e até com fome devido à falta de pastagens, considerando que diversos focos de incêndios queimaram nos últimos dias cerca de 3 mil alqueires de pastagens da 7 Mil.
Ao abandonar o segundo lote de animais na BR-466, o coordenador do acampamento do MST, Vilmar da Silva, admitiu que o gado da fazenda está mesmo passando fome e sofrendo por falta de cuidados veterinários. Segundo ele, uma média de cinco animais têm morrido diariamente na propriedade.
Vilmar justificou que o gado precisa ser retirado da fazenda porque os sem-terra já têm uma área de 200 alqueires pronta para plantio de feijão. Ele também alega que os incêndios destruíram cercas e que, pela extensão da propriedade, torna-se impossível para os sem-terra, impedir que animais escapem ou até que sejam furtados.
‘‘Se nos próximos dias o proprietário não voltar a dialogar conosco, a intenção das famílias é mesmo de soltar o restante do rebanho nas ruas de Ivaipor㒒, anunciou Vilmar da Silva. A Folha não conseguiu falar ontem com o proprietário da 7 Mil, Flávio Pinho de Almeida, em São Paulo.

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